Thursday, July 02, 2009

De volta para o futuro

Lembrei das reuniões-dançantes da minha adolescência. E reuniões-dançantes me lembram salgadinhos fedidos da Elma Chips, refrigerante quente, meninos pra um lado, meninas pro outro. Lembram também que tenho que brigar com o meu pai e perguntar por que eu tinha sempre que ser a primeira a ir embora. Ele marcava de me buscar a meia-noite. E chegava, pontualmente, 15 minutos antes.

Tudo isso também me faz lembrar do menino por quem eu perdi o sono dos 10 aos 13 anos. O mesmo menino que demorou esses anos todos pra me tirar pra dançar. Até o dia em que veio andando em câmera lenta na minha direção e fez a tão esperada pergunta:

- Quer dançar comigo?

Reuniões-dançantes me lembram que, 3 anos de sofrimento e amor platônico depois, eu fiquei nervosa, me confundi na resposta e disse não, obrigada. Ele virou as costas, baixou a cabeça e saiu andando muito rápido. Dessa vez, nada de câmera lenta.

Reuniões-dançantes me lembram de como era bom dançar juntinho. Mesmo que o juntinho significasse um metro e meio de braços esticados. Quando muito rolava uma mão na nuca, uma respiração no ouvido. Claro, isso se a trouxa da menina dissesse sim quando o menino a convidasse pra dançar. Tudo isso me lembra Duran Duran, Phill Collins e outras bandinhas que sabiam, sim, como fazer a música perfeita pra ocasião.

Anos, anos e mais anos depois, estou aqui ouvindo uma música que me faz voltar no tempo e lembrar como essa época era boa. Mesmo com o fedor do Elma Chips e o refrigerante quente, mesmo com o relógio adiantado do meu pai. Só que esses anos não voltam mais. O que voltou foi a minha vontade de dançar com alguém. Alguém por quem eu esperei durante um bom tempo. Dessa vez, com a certeza de que depois de uma grande espera, eu não tenho outra resposta na cabeça, no coração e na boca que não seja um sim.

Thursday, May 28, 2009

Why does it always rain on me?

Tem uma nuvem tapando os meus olhos.
E elas estão cheias de chuva.

Ouvindo Travis: sunny days, where have you gone?

Wednesday, May 27, 2009

Suspiro do dia

As pessoas deveriam sempre dizer o que sentem.
Mesmo que seja um "sinto muito".

À beira (do rio) de um ataque de nervos

Preciso ir ao estádio hoje ver o Inter jogar. Só gritando mesmo. Ou eu boto pra fora esse incômodo na minha garganta ou vou acabar morrendo sufocada com meus próprios palavrões.

Friday, May 22, 2009

Bigodez



Até de mau humor eu me divirto.

Friday, May 15, 2009

Friday I'm in love*

Dia cinza e úmido ontem. Chuva lá fora e aqui dentro. Asfalto derrapando, conversas congestionadas, pessoas escorregadias. Noite fria, vento soprando coisas chatas no meu ouvido, sono inquieto, sonho cinza e seco. Acordei com a cabeça nublada hoje, mas não sou de ficar muito tempo sem ver o sol nascer.

*
Dias assim eu curo com música alta. O vento pode até soprar, não vou ouvir. The Cure Acoustic não me dá respostas, mas me empresta. Hoje é sexta. E Robert Smith me diz que é dia de estar apaixonada.

*

No meu set list, tudo o que eu queria agora:
Close to me
Just like heaven
Love song

*

Prêmio de frase mais gostosa do álbum: We should have each other with cream.

*

E logo mais à noite, antes dos sonhos coloridos, eu diria: Let's go to bed.

Tuesday, May 12, 2009

Please let me know that it's real

Nada pode ser tão bom que não possa ficar melhor ainda.

Ouvindo Can't Take My Eyes Off Of You, com a Lauryn Hill. O link é só pra eu sentir mais saudades do Heath Ledger.

Thursday, April 23, 2009

We´ll always have Paris



Eu AMO essa série de filmes de Cartier. Esse é o volume 3, acho que são 20 12. Vale a pena ver todos, em ordem, e perceber a ligação que existe entre eles.

A propósito, São Paulo/Paris/São Paulo pela Air France por US$800. Aí eu pergunto: o que eu estou fazendo aqui que não estou lá, rodopiando desse jeito?

Wednesday, April 15, 2009

Congestionamento


Tempos atrás, na intenção de descobrir meu ascendente, fiz uma conta no tal do Personare. Desde então, quase todos os dias, recebo um email com previsões feitas com base no meu mapa astral. E há quase 2 meses esses emails dizem praticamente a mesma coisa: um novo amor está a caminho.

Senhor do Céu, mas que caminho longo é esse? Será que ele se perdeu? Está vindo a pé?

Calma, centauro: ele deve estar preso no trânsito astrólogico.

Tuesday, April 14, 2009

Enquanto isso, no almoço

É só ter um pedaço de salmão cru, um punhado de arroz e uma faca afiada na mão que eles acham que podem sair por aí cometendo crimes horríveis. Morte ao "sushiman" que inventou o Amendoskin, um enroladinho de salmão skin com, adivinha? Amendocrem. Eu vi, com esses olhos de peixe que a terra há de comer. Pena máxima pra ele. Que frite, eletrocutado, com a bunda em cima de uma enguia.

Wednesday, April 08, 2009

Desfazer


Hoje eu precisava que a vida tivesse Control + Z.

Saturday, April 04, 2009

Pra sempre

Thursday, April 02, 2009

And I dreamed your dream for you and your dream is real

Não quero mais uma história com final feliz. Quero uma história feliz sem final.

Música de hoje (e de ontem): Romeo and Juliet. O clássico do Dire Straits na voz de Brandon Flowers, do Killers.

Tuesday, March 31, 2009

Mais uma do Joãozinho

Então eu estava conversando com a minha mãe e falando o quanto tal pessoa era bonita.

- Ele é lindo por fora, lindo por dentro, lindo por tudo.

Percebi que tinha um ouvido em pé do meu lado.

- Mãe, desculpa, mas ele não é bonito por dentro. Ninguém é.
- Imagina, João! Tem muita gente linda por dentro. Tu, a mamãe, eu, o fulano, a fulana...
- Vovó, tu quer saber mais que eu que fui sexta-feira ver aquela exposição? Só o que tinha lá era corpo humano aberto!

Até tentei explicar. Mas ele tinha 50% de razão. E, mesmo empatados, com essa ele me ganhou. Mais uma vez.

Monday, March 30, 2009

Amanhã

O que até pouco tempo atrás eu chamava de vazio aqui dentro do meu peito, hoje eu chamo de espaço.

Ouvindo Instant Messenger, do Muse.

Thursday, March 26, 2009

Naked as we came

Aqui é proibido comer qualquer coisa nas salas. E beber também. Nem pensar em café, refrigerante, suco, água. Nada líquido perto do teclado, pra não o correr risco de derramar. Quanto a lágrimas, ninguém me disse nada. Ainda.

*Iron and Wine. Clipe mais lindo.

Saturday, March 21, 2009

AMO

Faz um tempinho que não vou ao Beira-Rio, apesar da carteirinha estar em dia e do coração ser cada vez mais vermelho. Minha primeira vez no estádio foi em 1900 e não me lembro*, estréia do Rubem Paz no Inter (!). Eu era uma pequena carioca ex-flamenguista de 10 anos. Quando não ia aos jogos, os jogos vinham até mim: fui vizinha de porta do Falcão por anos e quase sempre após as partidas eu via ele chegando em casa com seus enormes cachos loiros na cabeça. E, uma vez, com uma linda taça dourada nas mãos. Nos últimos 6 anos fiquei rodeada de gremistas. Filho, (ex)namorado, amigos. Não dava pra ir ao estádio sozinha, o que fazia com que eu fosse a muito menos jogos do que gostaria. Todos, no caso.

InterXSão Paulo, final da Libertadores da América. Chuva, frio absurdo, cara pintada com urucum preparado pelos índios, 7 horas no estádio mais 4 horas pra conseguir voltar pra casa. Valeu a pena e sempre vai valer.

Em 2009, as coisas vão ser diferentes. O Beira-Rio vai me ver com frequência. Começando pelo dia 04/04, quando estarei, bem linda de vestido vermelho, na festa do time que eu amo. Meu convite está na mão. E eu vou, nem que seja sozinha. Qualquer coisa é só puxar papo com o Falcão.

*pós-post: o primeiro jogo oficial de Rubem Paz pelo Internacional foi em 10.02.1982, na vitória de 5x0 sobre o Goiás, pelo campeonato brasileiro.

Friday, March 20, 2009

Nada como dar um F5


Se a vida sorri pra mim eu retribuo. E vice-versa.

Sunday, March 15, 2009

Um fim de semana, um bom livro, uma grande amiga

"Estou aqui, sentada, com os pensamentos me conduzindo pelo mundo afora e para dentro de mim mesma, enquanto tento registrar no papel essa viagem.

Quero escrever sobre o amor - sobre o ser humano - sobre solidão - sobre a existência de uma mulher.

Quero escrever sobre um encontro, numa ilha. Um homem que mudou minha vida.

Quero escrever sobre uma mutação que foi acidental e uma outra, deliberada.

Quero escrever sobre momentos que considero dádivas, bons e maus momentos.

Não creio que minha parcela de conhecimento ou de experiência seja maior do que a de qualquer outra pessoa.

Realizei um sonho - e tive mais dez, em lugar dele. Vi o outro lado de uma coisa cintilante.

Não escrevo a respeito da Liv Ullmann que as pessoas encontram nas revistas e nos jornais. Alguns podem pensar que omiti fatos importantes sobre minha vida, mas nunca tive intenção de escrever uma autobiografia.

Minha profissão requer uma exibição diária de corpo, rosto e emoções. Ironicamente, agora sinto que estou com medo de me revelar. Medo de que, pondo as coisas no papel, eu fique vulnerável e não seja mais capaz de me defender.

Sinto a tentação de fantasiar, fazer com que eu mesma e meu ambiente pareçam agradáveis, a fim de conquistar a simpatia do leitor. Ou de dramatizar as coisas para torná-las mais excitantes.

É como se eu não estivesse convencida de que a realidade em si tem algum interesse.

"Existe uma menina em mim que se recusa a morrer", escreveu a autora dinamarquesa Tove Ditlevsen.

Eu vivo, me alegro, sofro, e estou sempre lutando para me tornar adulta. Mas todos os dias, porque alguma coisa que eu faço a afeta, ouço a voz da menina, lá dentro de mim. Ela, que há tantos anos era eu. Ou quem eu pensava que fosse.

A voz é ansiosa, quase sempre de protesto, embora algumas vezes débil, e cheia de expectativa e angústia. Não quero prestar atenção nela, porque nada tem a ver com minha vida adulta. Mas a voz me deixa insegura.

Às vezes, acordo com vontade de viver a sua vida, assumir um papel diferente daquele que é meu cotidiano. Eu me aconchego à minha filha ainda adormecida, sinto sua respiração cálida e tranqüila e tenho a esperança de que, por meio dela, possa tornar-me o que desejei ser.

Examinando, retrospectivamente, o que lembro dos meus sonhos de infância, vejo que se parecem com muitos que ainda tenho, mas não vivo mais como se fossem parte da realidade.

Ela que está em mim e "se recusa a morrer" ainda espera algo diferente. Nenhum sucesso a satisfaz, nenhuma felicidade a acalma.

O tempo todo estou tentando modificar-me. Pois sei que existem outras coisas bem diferentes daquelas que conheci. Gostaria de caminhar para isso. Encontrar a paz, de maneira a poder parar e escutar o que está dentro de mim, sem nenhuma influência."

Tuesday, March 10, 2009

Cuidado com o que você deseja, pode acontecer.

Rio de Janeiro antes do fim do verão.


E Buenos Aires, assim que a temperatura cair.



Estou desejando. Muito.

Monday, March 09, 2009

Emotions keeps my heart running

Estava tudo certo. Ingressos, passagens. Amanhã eu deveria estar em São Paulo, para assistir ao show do Keane. Não fosse o respeito que tenho pelo destino. Ele preferiu que eu ficasse. O que me faz rir numa hora dessas é que, segundo uma amiga, em abril eu tenho outra chance de ir pra lá. Só que pra ver o Kiss. É, dependendo do ponto de vista, "é quase a mesma coisa".

Saturday, March 07, 2009

Fall on me*


Pega na minha mão. Olha para os meus dedos e diz que gostou da cor do meu esmalte. Mesmo que ele não tenha cor. Fala que ele combina com o meu batom, que nada mais é do que a cor natural da minha boca. Fica girando o meu anel, procurando o melhor ângulo do brilhante falso em meu dedo fino e longo. Olha para a outra mão e repara que ela não tem anel. Segura com firmeza nessa mão vazia e preenche esse vazio com teus dedos. Preenche também o silêncio com a música que mais gosto. Eu nunca vou precisar te dizer. Com o tempo, você vai descobrir qual é. Vamos dançar a mesma música a noite toda. E nem vamos perceber, já que o tempo vai parar. Olha nos meus olhos e me conta que já havia sonhado com eles. Foi um sonho estranho, com rostos desconhecidos. Eu era eu, com outras feições, outra voz, outro cabelo. Mas era eu, você sabia que era. Os olhos eram os mesmos que você reconheceu quando me viu acordado pela primeira vez. Diz que cansou de dançar. Não porque cansou mesmo, mas é a desculpa para deitarmos lado a lado no tapete da sala, olhando uma lua imaginária bem acima da gente. As estrelas a gente veria mais tarde. Depois de ficar horas olhando para cima, segurando a vontade de olhar para o lado. Uma vontade que nunca mais teremos a partir do momento em que, pela primeira vez, nos olharmos de frente.

*R.E.M "So if I send it to you, you've got to promise to keep it whole"
postado originalmente em agosto de 2006.

Thursday, March 05, 2009

And the good times are growing*

Olhar no espelho dava desgosto, olhar pra dentro dava desgosto, olhar pra trás também. Passei alguns dias não gostando de mim. Querendo ser alguém que não era eu. Querendo viver uma vida que não era a minha. Cheguei a sonhar que era outra pessoa. Todas as vidas pareciam ser mais interessantes e menos complicadas. Vendo um programa na TV, me peguei desejando ser uma paulista que mora no Rio e que está à procura de um namorado. Quase um reality show, tipo "mulher solteira procura". Invejei o domingo que ela passou na casa de amigos franceses. Invejei seus amigos, os franceses e também os brasileiros. Invejei a piscina da casa, a vista, a decoração. Invejei o almoço delicioso, o clima divertido. Invejei o sorriso que todos tinham no rosto. Mas só depois percebi que não, não invejava o motivo dela estar ali: a busca por alguém. Um namorado. Não é o meu caso, não estou procurando ninguém. Mesmo porque essas coisas não se procura e é tão mais legal quando nos acham. E aquela vida, cheia de brincadeiras e sorrisos, talvez só fosse assim em frente às câmeras. No fundo, a paulista que mora no Rio talvez sentisse um vazio por estar na busca pelo que não encontra. A essa altura, desejo mesmo que ela tenha preenchido esse vazio, pelo menos por enquanto, na maravilhosa casa com piscina em Santa Teresa. E que ela sorria ainda mais quando se sentir completa, na companhia dos amigos e do namorado. E que ela viva plenamente essa vida que é só dela.

Dia desses tive vontade de ser uma criança, tive vontade de ser muito rica (essa eu ainda tenho), tive vontade de ser uma médica dona do seu próprio nariz. Tive vontade de ter nascido em outra cidade, em outro país, em outra época. Tive vontade de voltar atrás. Ou de ir correndo pra frente. Curioso. Porque hoje, hoje mesmo, agora, tudo o que eu quero é viver este exato momento. Assim, como ele está. E é poder ser eu. Assim, como eu sou. Quero falar o que eu quero sem medo de ouvir o que não quero. Fazer o que tenho vontade e não precisar fingir quando não tenho vontade nenhuma.

Hoje eu quero e vou ser eu. Amanhã também. Com muito gosto e olhando pra frente.

* Take me away, música de um dos B'sides do Oasis. É linda, tá aqui nos ouvidos, no repeat.

Sunday, March 01, 2009

Eu te amo, me disse hoje o espelho

Um dia desses uma amiga me contou que, depois de uma semana de cão no trabalho, chegou em casa e foi direto mergulhar seu corpo cansado na água morna da banheira. Olhos borrados, cabelos escondidos dentro de uma vergonhosa touca de plástico, pés inchados, unhas com esmalte descascado. Pelo menos foi assim que imaginei a cena, do jeito que ela contou. A mulher mais feia do mundo. Palavras dela. Então o marido entra no banheiro e docemente pergunta se pode ficar ali, quietinho, sentado no chão. Só olhando, admirando a mulher mais linda do mundo. Palavras dele.

Eu não acreditaria se não já não tivesse passado por situação parecida. O quadro da dor ali na parede e alguém olhando com cara de bobo como se eu fosse uma obra de arte. É, eu realmente não acreditaria se já não tivesse passado por situação parecida. Mais de uma vez. Várias vezes. Minhas monstruosas olheiras já foram charme aos olhos de alguém. "Bonita até os poros" foi o que ouvi quando reclamei dos efeitos do tempo sobre a minha pele. E as minhas canelas finas? Que canelas finas, tuas pernas são lindas. Não, lindas elas seriam se eu tirasse a gordura desses pneus aqui do ladinho e injetasse lá, nas canelas finas. Tá louca? Antes louca do que gorda de canela fina. Louco sou eu, por você, ele disse. E nessa hora calou minha boca com um beijo como se eu fosse a Angelina Jolie, dona dos lábios que todas nós gostaríamos de ter. Porque, para ele, minha boca era exatamente isso, perfeita. A boca que ele gostaria de ter, bem perto da dele.

Na falta de um beijo deveríamos ser caladas por nossa consciência, por nosso amor próprio ou pelo nosso espelho. Amordaçadas, toda vez que começássemos a tagarelar sem parar, nos criticando, sempre procurando (e, incrível, achando) imperfeições que, na sua maioria, só nós vemos. Imperfeições que se olharmos bem, são apenas pequenos pedaços de nós que, junto com outros pedaços formam um todo perfeito. Formam a pessoa única que cada uma de nós é.

Perdão a quem disse que o amor é cego. Não é coisa nenhuma. Ele enxerga tudo. Enxerga melhor que todos. Sem distorção de imagem. O amor é bom, não é cruel. Só o amor faz tudo ficar mais bonito, faz a celulite desaparecer, faz a gordura derreter, faz a canela engrossar. Só o amor faz a canga cair, o biquíni diminuir, a bunda endurecer, faz a pele brilhar. E faz a felicidade existir. Aos olhos de quem ama, tudo é lindo.

O tempo passa. Está mais do que na hora. Não de se gostar, isso é fácil. Mas de se amar, de se apaixonar, de não poder mais viver sem você mesma. Chega de deixar de fazer, de perder oportunidades, de se render para complexos. Sem essa de apagar a luz do quarto e acender velas. Experimente caminhar lentamente na borda da piscina e entrar devagar na água. Mergulhe rápido, mas de cabeça na vida. Se esconda, mas de um homem que não te interessa. Sinta a tal da vergonha, mas por ser muito sem-vergonha. Quer perder peso, comece tirando de você o peso da culpa. Deixando sua consciência mais leve. Chega de não isso, não aquilo. Use saia! E saia! Saia de dia, saia de noite, saia de si. E entre no maravilhoso mundo das mulheres apaixonadas pelo que são, e não pelo que gostariam de ser.

Friday, February 27, 2009

Hugh: onomatopéia de soco no meu estômago




Fotos novas, texto antigo. Ele é, definitivamente, o homem mais sexy do meu mundo.

*
A propósito: feliz aniversário, Mona. Que teu dia seja lindo, como esse cara aí de cima. :)
*

Pensando bem
Minha casa está um caos. Uma vergonha. Um lixo. Uma bagunça enorme. Tão grande que eu juro: não deixaria ninguém entrar aqui hoje. NINGUÉM.
Nem se tocasse o interfone agora, e:

- Dona Dani, visita pra senhora. Seu Marcelo Anthony.
- Ah, não. Inventa que eu não tô.

...

- Dona Dani, chegou visita.
- De novo? Despacha, Vanderley, despacha.
- Dona Dani, mas é o Tom Cruise. E é ele MESMO.
- Diz que ainda não cheguei. Diz qualquer coisa. Manda ele embora. Diz pra passar outra hora, mas não deixa ele subir.
- Pronto, Dona Dani, o Seu Tom já foi.
- Ótimo, melhor assim.

...

- Dona Dani, chegou outra visita.
- Mas quem é agora???
- O Seu Hugh.
- Não, não deixa passar do portão! Pelo amor de Deus, não!
- Seu Hugh Jackman, o senhor desculpa, mas ela não está.
- Jackman??? Meu Deus, pensei que era o Hugh Grant! Chama ele, Vanderley, rápido!
- E o que eu digo?
- Só pergunta se ele é alérgico a poeira e manda subir. Rápido.

Wednesday, February 25, 2009

9.4.3

Ensaiei durante dois meses. Escreve, apaga, reescreve, deleta. Espera uns dias, escreve, apaga, reescreve, deleta. Ontem, mais uma vez, escrevi. Sem reescrever, sem deletar. Apertei a tecla verde. Send.
Estranhamente, minhas palavras sequer saíram do aparelho. Não sei se foi erro da operadora ou acerto de Deus. Só sei que elas continuam ali, entaladas na garganta do meu celular.

Monday, February 09, 2009

A tristeza do belo, a beleza do triste

Coisa mais bonita que uma amiga me disse hoje:
"Chorei muito. Mas embaixo dos olhos ainda ficou uma bolsa de lágrimas-reserva".


A mão dela, a dela e a minha.

Fala, Neruda

Quem me mandou escancarar as portas do meu próprio orgulho?

As coisas mudaram. Simples assim, porque as coisas mudam. Coisas, vidas, sentimentos, razões, idéias, pessoas, planos, rotas, caminhos, estações, temperatura, assuntos, opiniões, gostos, preferências. Mudam os cabelos, cortes, cores. Mudam as peles, tons, texturas. Mudam a moda, roupas, desejos. As coisas mudaram. Simples assim, como o dia vira noite logo que chega ao seu fim. As coisas mudaram porque elas não podiam mais ficar como estavam. Simples assim.

Que mais pesa na cintura, as dores ou as recordações?


A Favorita acabou. E logo começou o tal caminho da Gloria Perez. Tudo muito lindo, muita beleza, muito ouro, amores sublimes, olhos que brilham. Tem quem vá sentir falta da outra, que tinha brigas e contradições. Tem quem vá preferir a atual antes mesmo de se envolver com a trama. Mas as coisas mudam. Os protagonistas mudaram. Mas é sempre a mesma novela da vida. Já viram que curioso? Casamentos, sempre no último capítulo. É como se já começassem acabando.

Não, não estou amarga. Talvez um pouco cética. A ponto de só acreditar em Deus.

Por que andamos tanto tempo crescendo para nos separarmos?

Thursday, February 05, 2009

Vivendo e (des)aprendendo

Eu não aprendo. Definitivamente, eu não aprendo. Não é burrice, não é má vontade, não é falta de atenção nem de capacidade. A vida me ensina e eu custo a aprender. Certos conteúdos me são apresentados há anos, cansei de estudar a respeito e, na hora da prova, nota zero. Matérias repetidas tinham que ser tiradas de letra. Mas que nada, essas são as mais difíceis. Por que não consigo achar que 2 e 2 são simplesmente 4?

No colégio eu era bem inteligente até. Mas não gostava de estudar. Odiava. Nunca gostei de teoria. Se ia bem na matéria, era por sorte de ter absorvido o conteúdo durante as aulas. Se não, só tirava nota boa se colava de algum colega mais abastado de conhecimento do que eu. Sim, eu colava. Já fiz prova com as coxas lotadas de fórmulas matemáticas, de datas históricas, de elementos químicos, do nomes importantes. Napoleão e Pascal já andaram ali perto dos países baixos.

Mas nessa tal de vida, eterna prova, teste após teste, é difícil. Os amigos ajudam, a mãe repassa a matéria, já tentei professor particular, já até virei noites estudando. Nada. Quem sabe um dia eu aprendo. Sou inteligente e tenho vontade de aprender.

Mesmo porque, na vida não dá pra colar do cara ao lado. O professor lá de cima não é bobo: ele sempre dá uma prova diferente pra cada aluno.

Wednesday, January 28, 2009

Anime-se!



Me sinto num desenho animado que de animado não tem nada. Sou o Tom com o rabo entre as pernas, tomando bronca da empregada negra e gorda que fala grosso. Sou o Coiote levando bigornadas de chumbo na cabeça e vendo estrelinhas. Sou o cara aquele que fica correndo em volta do trailer procurando pelo urso. Sou o Donald sofrendo nas mãos do Tico e do Teco, tudo por causa de meia dúzia de nozes. Sou o Pica-Pau na fila do correio. Fila esta onde só existe ele e, mesmo assim, sua ficha é a de número 500. Estou no meio do seriado do Batman. Pows! explodem na tela. Na abertura do Agente 86, onde uma porta se abre, uma se fecha e outra se abre de novo. Até a próxima se fechar e eu dar de testa. Vejo fantasmas como o Scooby e o Salsicha, mas sou mais a Welma e sei que eles são apenas pessoas disfarçadas querendo me assombrar.

Essa Corrida Maluca está apenas começando. E pra cruzar a chegada preciso acreditar que posso ser também o Leão da Montanha. Não por covardia, mas por coragem. Preciso sair pela direita e encarar tudo de frente porque a vida anda querendo ficar cor de rosa pra mim. Não tenho nada de Penélope, mas chegou a hora de confiar no meu charme, encarnar o Mutley e fazer alguma coisa pra conquistar minhas medalhas.

Tuesday, January 27, 2009

Da série: recordar é viver - Parte I

Começo a publicar hoje aqui, entre um texto novo e outro, uma série de posts escritos por mim entre 2004 e 2007. Posts, esses, que em uma certa noite, num ataque de fúria, foram deletados sem dó nem piedade. E que, nessa mesma noite, me fizeram chorar de saudade apenas dois minutos depois que foram enterrados. Mas milagres acontecem e todos os arquivos acabaram voltando para as minhas mãos (obrigada,l.!), porque do meu coração eles nunca saíram. Todos eles, até os que me matam de vergonha, moraram e vão morar pra sempre na minha vida que passou, na que ficou e na que vem por aí. Vocês não têm noção da minha felicidade. Reencontrar esse pedacinho de mim é uma alegria de 1.77m de altura.

***

[[[Segunda-feira, Maio 15, 2006]]]
Agora eu sou uma mãe famosa

Sábado, 9 da manhã, frio do cão. Lá estava eu na escola do João, sentadinha esperando começar a apresentação em homenagem às mães. Crianças, fantasias, frases decoradas com esforço - que coisa mais linda - lágrimas e aplausos.

Na hora de ir embora, João pede pra eu olhar o enorme painel que todos fizeram para suas mães. Cada uma de nós foi desenhada, bem grande. E, ao lado, um comentário dos respectivos filhos:

"Minha mãe é linda. Ela gosta de andar de bicicleta e caminhar no parque."

"Mamãe brinca comigo, faz comida pra mim, me leva na pracinha e eu amo ela."

"Eu adoro a minha mãe. Ela gosta de ler, ouvir música, ir no supermercado. Ela tem cabelo com cachinhos."

Nenhum desses era pra mim. O meu estava escrito com uma letra um pouco maior, era mais colorido, a boneca desenhada era linda e se destacava no meio dos outros:

"Minha mãe adora soltar pum, fazer cocô e dormir."

Pelo menos ele não contou que eu ronco.

Sem mais para o momento,
atenciosamente

Daniella Ferreira

Friday, January 23, 2009

Big Joy


Alguns indícios de por que tenho certeza que preciso urgentemente tirar uns dias de férias:

1. No início da semana fui almoçar num restaurante a quilo. Servi a comida direto na bandeja, sem o prato.

2. Ontem, durante uma reunião numa sala cheia de gente e outras participando via webcam/skype, falei num copinho de café achando que era o microfone.

3. E hoje perguntei a uma amiga se o leão que aparecia ao lado dela numa foto da lua de mel na África era de verdade ou empanado.

Falta pouco. Só mais três dias de trabalho e lá vou eu.
Minha cabeça anda viajando muito. Tá na hora do corpo fazer o mesmo.

Wednesday, January 07, 2009

Todo carnaval tem seu fim

Verei por esse lado. Todo fim é também um começo.



I went to your house
Walked up the stairs
I opened your door without ringing the bell
I walked down the hall
Into your room
Where I could smell you
And I shouldn't be here, without permission
I shouldn't be here

Would you forgive me love
If I danced in your shower
Would you forgive me love
If I laid in your bed
Would you forgive me love
If I stay all afternoon

I took off my clothes
Put on your robe
I went through your drawers
And found your cologne
Went down to the den
Found your CD's
And I played your Joni
And I shouldn't stay long, you might be home soon
I shouldn't stay long

Would you forgive me love
If I danced in your shower
Would you forgive me love
If I laid in your bed
Would you forgive me love
If I stay all afternoon

I burned your incense
I ran a bath
I noticed a letter that sat on your desk
It said "Hello love, I love you so love, meet me at midnight"
And no, it wasn't my writing
I'd better go soon
It wasn't my writing

So forgive me love
If I cry in your shower
So forgive me love
For the salt in your bed
So forgive me love
If I cry all afternoon

Sunday, November 30, 2008

Relendo as cartas

Querido Papai Noel,

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas por quase 30 anos sem mandar notícias. É que andei meio ocupada (ou seria mais apropriado, desocupada?) esse tempo todo, acreditando em outras coisas, em outras pessoas e até em mim mesma. Pra não perder mais tempo, resolvi escrever para o senhor já agora, bem no iniciozinho de dezembro. Afinal, segundo a decoração dos shoppings e os comerciais na televisão, o Natal está aí e logo, logo os perus estarão apitando no forno, a Simone estará cantando nas rádios e todo mundo vai começar a se amar de uma hora para a outra. Daqui a pouco alguém entra na minha sala com papeizinhos de amigo-secreto, o SBT reprisa pela décima vez Esqueceram de Mim e a Globo começa a anunciar o Especial de Natal do Roberto Carlos. É, mais uma vez entramos na reta final de um ano para encarar as curvas de outro.

Sabe, meu velho, esse ano foi bem difícil pra mim. Ainda bem que voou. Aliás, voou como todos voam. Faz anos que ouço isso. Deve ser a frase mais dita no mundo, depois da clássica “será que vai chover” dentro de elevadores ou “no nosso aniversário quem ganha o presente é você” em propaganda de supermercado: o ano voou. Pois agora, olhando pra trás, parece mesmo que passou rápido. Mas quando ainda estávamos em janeiro, o tal ano se arrastava. Olho lá pro dia primeiro do ano e lembro que ele já começou com uma perda pra mim. Uma perda que, agora, não significa nada, porque na verdade ela nunca foi um ganho e só eu não via isso. Em 2006, perdi uma amiga. Não, não, ela não morreu. Está bem viva, graças a Deus. Mas não vive mais na minha vida. Aquela perda acabou sendo um ganho pra mim, porque comecei a aprender a dizer não. A não pedir desculpas quando sei que a culpa não foi minha. Em 2006, perdi meu carro. Bem material, eu sei. Mas ele era umas das coisas mais concretas dentre minhas conquistas emocionais. Sem carro, mas com saúde pra andar a pé, de ônibus, de táxi, de carona, de cabeça erguida. Com saúde pra trabalhar, porque mesmo quando perdi um emprego não perdi o amor que tenho pelo meu trabalho. Perdi dinheiro, muito dinheiro. Perdi noites de sono. Perdi de me divertir porque achava que ganhava mais ficando em casa. Mas ganhei outros amigos que nem sabia que tinha. Ganhei coragem pra enfrentar mais uma subida da montanha-russa. Ganhei disposição pra gritar e levantar os braços na descida. Ganhei o apoio da minha família e o sorriso cada vez mais desdentado do meu filho. Perdi a paciência, o orgulho, a calma, a noção, a razão, o bom senso. Mas perdi de mim mesma quando quis me derrotar. No final, mesmo com alguns fracassos, eu ganhei.

Já me disseram que não sei pedir. E não sei mesmo, nunca soube. Posso estar dura, dura. Não sei pedir dinheiro para o meu pai, que vive oferecendo. Posso estar carente, mas não sei pedir um abraço. Por estar precisando de você, mas não sei dizer que é de você que preciso.

Preciso aprender. Tenho muito a ganhar com isso. Por isso, Papai Noel, anos e anos depois, volto a te pedir algumas coisas. O senhor já me deu o Genius da Estrela e todas as bonecas mais lindas do mundo. Já deu outro avião pro meu irmão, logo depois que pisei em cima do dele. Já deu um Playstation pro João e, assim, me deu um sorriso por vê-lo sempre feliz quando chega em casa da escola e vai correndo jogar. Agradeço por tudo, mas o que quero, dessa vez, não se compra em loja nem se põe debaixo da árvore.

Não quero ganhar nada. Quero perder. Porque só perdendo certas coisas vou começar a realmente ganhar. Quero perder o medo de ser feliz. Quero perder a vergonha de amar. Quero perder a noção do tempo quando estiver amando. Quero perder o chão quando estiver beijando. Quero perder a hora, os minutos, os segundos e ganhar uma vida inteira. Quero perder a razão pra sentir a emoção.

Agora, meu coração dói. Dói doído mesmo, uma sensação chata de ter perdido a chance de ficar calada. Um arrependimento por ter sido honesta com os meus sentimentos e sofrimentos. O problema é que, assim como no Natal, dificilmente alguém dá sem esperar receber. Ninguém gosta de não encontrar ao pé da árvore pelo menos um pacotinho com o seu nome escrito. Dessa vez, eu juro. Eu não queria um presente. Só um abraço. Só uma palavra. Só um gesto. Pra eu não achar que mais uma vez pus tudo a perder.

Era isso, Papai Noel. Desculpe se não fui clara o suficiente. Se me perdi nas palavras. Vê aí o que senhor pode fazer por mim. Prometo não encher mais o saco, nem fazer trocadilhos idiotas como esse. E prometo não roubar no sorteio do amigo-secreto fingindo que tirei meu nome só pra poder tirar outro papel.

Feliz Natal adiantado pra todos.

Saturday, November 08, 2008

Pequeno fã

video

Monday, November 03, 2008

Over my shoulder a piano falls

Tem sido bem difícil encarar o espelho. Não gosto do que vejo. Nem do que não vejo. Nem do que os outros vêem. Nem do que só eu vejo. Eu e eu. Porque eu somos nós. Eu sou mais de um e esse mais é menos do que deveria ser. Nós. Ninguém vive sozinho nem quando está sozinho. Podemos não estar felizes com alguém mas estar com nós mesmos. Podemos não brigar com o outro, mas brigamos olhando pra dentro. Somos únicos mas não somos.
Tem sido bem difícil encarar o espelho. E aquelas duas rugas entre os olhos são feias. Não porque são rugas, mas porque não vêm de experiências bonitas e sim de aflições. Rugas na testa, ou nas laterais do olhos, sim, são incríveis. Sinais do tempo. E sinal de que o tempo passou e você passou grande parte dele sorrindo. Sorrio com muita facilidade. Dou gargalhadas à toa. Mas mesmo assim tem sido bem difícil encarar o espelho. Não tenho visto sorrisos nem gargalhadas à toa. Só o que vejo é uma pinta na ponta do meu nariz. Uma pinta como um ponto. Ponto este que às vezes complementa uma exclamação, uma interrogação ou um ponto final. Ponto este que refletido em vários espelhos se transforma em reticências. São elas, as reticências, que hoje me prendem à dúvidas e mais dúvidas. Não tenho mais certeza sobre quem de nós eu sou. Se a pessoa de belas rugas na testa ou a de preocupação entre os olhos. Se a pessoa que gargalha à toa ou a que não consegue rir. Tem sido difícil encarar o que está na minha frente. Simplesmente porque eu não conheço ou reconheço o que vejo. Tenhos dois braços, duas pernas, dois olhos que veêm, dois ouvidos que ouvem. Sou perfeita. Mas sinto que não tenho muitos abraços, nem mãos que tocam, nem pés que andem na direção certa. Tudo o que vejo são imperfeições. Incapacidades, bloqueios. Crenças plantadas muito cedo e presas por raízes difíceis de arrancar. Eu quero, preciso arrancar. Quero ver essas crenças caírem por terra sem deixar nenhuma semente. Quero encarar o espelho com a mesma felicidade que um dia vou encarar o outro, ainda que esse outro seja eu.

Wednesday, October 22, 2008

Teoria da conspiração

- Quem inventou o biscoito de polvilho era mulher e queria ver todas as outras comendo sem parar para ficarem gordas.

- Ahahahahahaahah. E a cerveja?

- Mulher também. Pros maridos engordarem, ficarem com uma barriga enorme e nenhuma outra mulher olhar pra eles.

Monday, October 20, 2008

Audácia da pilombeta

Sábado pra domingo, três e tanto da madrugada. Festa de reencontro de ex-anchietanos. Gente que eu não via há muitos, muitos anos. E cerveja, que eu não bebia há 8 meses. Já mais pra lá do que pra cá, porque só mesmo mais pra lá pra eu fazer esse tipo de coisa, puxo um menino - que já não é mais menino - e falo no ouvido dele:

- Tu parece o Jude Law.


Eu, se fosse ele, tinha me jogado pro alto de felicidade e me enchido de beijo. Mas não. Um olhar meio torto cruzou o meu.

- Quem?
- O Jude Law...


De novo o olhar torto. Uma amiga me cutucou e perguntou o que eu havia dito pra ele ficar com aquela cara de poucos amigos de infância. Respondi, mais alto que a música, pra ele também ouvir, correndo o risco do terceiro olhar torto:
- Ah, só falei que ele é a cara do Jude Law.
E ele, dessa vez com o mesmo sorriso que lhe fez juz à comparação:

- Ahhhhh, eu tinha entendido Didi Mocó!

Foi aí que olhei pro DJ e pensei: som na caixa, mané.

Thursday, October 16, 2008

Vai com Deus

Tem colega de trabalho, tem amigo, tem colega de trabalho amigo e tem colega de trabalho que mente que é amigo e nem colega sabe ser. Estou longe de ser santa, tenho milhões de defeitos e convivo diariamente com minhas próprias falhas, que me incomodam muito mais do que as dos outros. Mas, se tem uma coisa que não admito e não quero sentada ao meu lado é ausência de caráter. Prefiro mudar de lugar. Que seja bom, que seja mau, mas que tenha caráter. Ficar no meio termo, se fingindo de amigo e te cravando pelas costas é muito feio. Se não é amigo, não seja. Essa obrigação não está na nossa pauta diária. Não estamos aqui para fazer amigos, mas para fazer um trabalho bem feito e ganhar dinheiro. Se é assim que se pensa, então pelo menos seja um bom profissional, já que não pode ser uma boa pessoa. E o que eu vi acontecer não foi profissional. Não mesmo.

É. Nós nunca mais vamos tomar aquele café quentinho juntos. O colega de trabalho que não soube ser amigo de verdade, acaba de se queimar comigo.

Wednesday, October 08, 2008

I do really want to walk unafraid

Dois shows num intervalo de 5 dias. Porto Alegre e São Paulo. No Via Funchal, meu lugar lá na frente (né, ?) vai me permitir beijar o chão que o Michael Stipe pisa. Tenho até medo da catarse que isso pode provocar. Medo que as duas horas (X2) de show se transformem num segundo e que eu tente parar o tempo dentro de mim. Mas não importa. Eu vou ver ao vivo, duas vezes, e isso já transforma algumas poucas horas no melhor tempo dos últimos tempos. Isso me transforma. Em alguém que eu sempre quis ser, mesmo que por alguns acordes. Alguém que se permite sentir de verdade toda a emoção que a vida pode proporcionar, sem bloqueios, sem receios. Alguém que se divide entre antes e depois de um show do REM, porque cresceu lendo suas letras, amadureceu ouvindo suas melodias, voltou a ser uma menina cantando suas músicas e envelheceu chorando seus versos. Obrigada, meu Deus, por esse presente de aniversário. Meu futuro não vai ser o mesmo. Nem eu.



(Incrível como ninguém no mundo tem tanta presença de palco quanto ele. Tá, tudo bem, vou dar um crédito ao Ney Matogrosso...)

Monday, September 22, 2008

“Não vale mexer no texto”




Estou participando da Ciranda de Blogs, uma idéia da Flávia, do DecoraCasa. Como funciona: é tipo brincadeira de amigo secreto. Blogs se inscreveram, houve um sorteio e no dia 18 passado ficamos sabendo quem seria o nosso “blog amigo”. O presente? Um post. Escrito depois de uns dias lendo o blog da pessoa, tentando conhecer o suficiente pra escrever algo que ela própria escreveria.

O meu deve estar lá, no Chocolat Avec Des Lettres, da June. Não escrevi um post novo, mas algo me dizia que um texto meu em especial, já publicado um dia, ficaria bonito ali, em meio a fotos e poesias e aquele clima de sensualidade que rola por lá. E aqui? Bom, parece marmelada, mas quem me tirou me conhece há...20 anos? 21, pra ser mais exata. Então, fala, Márcio:


Sou ruim em matéria de guardar datas ou guardar fatos do passado.
A menos que se refiram ao Grêmio.
Até por isso, não tenho idéia do motivo que me faz lembrar exatamente o dia e o momento em que eu a conheci.

Talvez pelo fato de estar ameaçando fazer um strip tease diante da câmera de vídeo que eu tinha em minhas mãos.

Não. Não deve ser por isso.

Seja pelo que for, notei que não se tratava de uma pessoa normal.
Pelo menos foi o que eu imaginei na hora.

Mas nossa amizade cresceu desde então.
Fomos nos conhecendo por meio da turma de amigos em comum.
E, com mais tempo, fui percebendo que realmente não se tratava de uma pessoa normal.

Pois esta pessoa passou um mês na minha casa de praia durante as férias de verão.
Um mês estorvando.
Um mês comendo estrogonofe.
Um mês sendo espancada a chutes e a golpes de toalha molhada.
Ao invés de chorar e pedir perdão, apenas ria. Ria e mais ria.
Quanto mais eu batia, mais ela ria.
Não poderia ser normal.

Sim. Ela não era normal.
Nem mesmo no nome.
Ela não era Daniela...
Ela é DanieLLa.

Mas por ser anormal, é diferente de todas as demais.
Uma amizade que nem o tempo conseguiu separar...o que seria a coisa mais normal.

Essa é a Dani.

Que ainda me deve um strip tease.


Obrigada, querido Morango. Adorei tua criatividade ao inventar tanta barbaridade. E, sem querer fazer rima, não vou mexer no texto, em nome da nossa amizade. :)

Monday, September 15, 2008

Try (not) to breath


Nem quem me conhece muito, muito, muito tem noção do que este show significa pra mim. Hoje, quando li que já estão vendendo ingressos para o show de São Paulo, comecei a tremer. Pensando seriamente em comprar logo, pra assistir em São Paulo e/ou em Buenos Aires. Muito medo que o tal do Zequinha Stadium seja o que parece ser: uma piada.

Friday, September 12, 2008

Vida colorida

Rapidinho: só pra dizer que de vez em quando escrevo sobre maquiagens, produtos para cabelos e cosméticos em gerallll lá no TieDye, a convite da Vica. Em breve volto a escrever aqui, assim que comprar um rímel à prova d´água. :)

Friday, August 22, 2008

Tristeza

E toca um blues aqui dentro do meu peito.

Tuesday, August 12, 2008

Vida dura


- Mãe, não aguento mais comidas saudáveis. Preciso de alguma coisa que apodreça meus dentes em segundos.

(João, depois de 5 dias tomando sucos e comendo camarão na Bahia.)

Friday, July 25, 2008

Muito prazer

Daniella não tira férias de verdade há uns 4 anos.
Daniella não foi mais que duas vezes à praia desde 2006.
Daniella deu apenas um mergulho no mar em 2008.
Daniella ficou branca nos últimos dois verões.
Daniella teve três férias canceladas em 2007.
Daniella não viaja com seu filho desde 2001.
Daniella precisa de sol e calor.
Daniella decide ir para um lugar que é calor o ano todo.
Daniella vai para a Bahia amanhã.
Na Bahia faz 17 graus. Temperatura mais baixa desde 1938.

Daniella sou eu.

Tuesday, July 15, 2008

Quer dizer que hoje todos os sagitarianos estão com o coração pesado?

“Apesar de estar sentindo certo peso em seu coração, o momento pede força e capacidade de decisão. Não esmoreça por causa do cansaço, nem se atreva a desistir antes de atingir seus objetivos. Procure refletir sobre o que deseja para o seu futuro e se estiver sem planos, trate de arrumar alguns.”

Eu (acho que) não acredito em horóscopo. Mas que às vezes parece que esses efe-de-pê desses astrólogos invadem meu computador e lêem meu querido diário, ah, parece.

Thursday, July 10, 2008

Long time no see

Faz tempo, eu sei. Estou com muita saudade disso aqui, mas em breve dou um jeito nisso. Aproveito a passada rápida pra indicar mais um blog que está nascendo. Me sinto muito, muito feliz por saber que, de alguma maneira, cutuco as pessoas. Boa sorte, Pilar. Escreva bastante. E saiba que, uma vez começando, fica difícil parar. A gente até tenta, mas dá uma saudade...

Thursday, June 12, 2008

Songbook

Por motivos íntimos e pessoais, meu cérebro nunca mais me deixou escutar NADA desta banda. Cada acorde e cada frase soam como se alguém estive lendo em voz alta algumas páginas de um livro de mémórias. Até hoje vinha mantendo distância. Mas nunca deixei de amar. É.

A vida dá voltas, o mundo gira, as coisas acontecem. E eu vou estar de férias, bem longe de São Paulo, no dia 30 de julho, quando, enfim, eles estarão lá fazendo show.
Me dói de verdade. Eu esperei por isso, mas isso não vai me esperar. Paciência. Apesar da distância, nunca vou deixar de amar.

MUSE - Starlight
"Our hopes and expectations, black holes and revelations
Hold you in my arms
I just wanna to hold you in my arms"


Wednesday, April 30, 2008

Pronto, falei

"Que todos consigamos perdoar os mal-educados. Eles simplesmente passaram nas nossas vidas. Não podem ser os responsáveis por nossos dias ruins."

Ela
escreveu e eu resolvi escrever também. Vou contar a triste história de um velho mal-educado que apareceu na minha frente dias atrás. Deixa só eu respirar fundo. Ok, lá vai:

Fui buscar o João na casa do meu irmão. Ao entrar no condomínio, o guarda me orientou a estacionar o carro na vaga de carga e descarga (leia-se: cabe um caminhão) já que todas as vagas para visitantes estavam ocupadas. Subi, peguei o pequeno e minha mãe, descemos e fomos em direção ao carro. Eis que surge um outro carro vindo na nossa direção e pára GRUDADO atrás do meu, o que impedia que eu conseguisse sair. Minha mãe pergunta, em tom de voz normal (leia-se: um pouco alto, padrão das mulheres da nossa família), se por acaso eu tinha estacionado na vaga dele. Respondo, em tom de voz normal (leia-se o mesmo alto):

- Claro que não, aqui é vaga de carga e descarga, o porteiro que disse pra eu botar aqui. De qualquer jeito, estamos saindo.

Deixa eu respirar fundo novamente, porque é agora que a coisa pega:

Então surge uma careca reluzente pela janela do carro preto e eu ouço o seguinte, em tom de voz alto (leia-se muito alto e grosseiro, bem mais alto que o padrão das mulheres da nossa família):

- O quê que tu tá falando aí?
- Só estou dizendo que não estou na vaga de ninguém e que estamos saindo.
- Ahhh, cala essa boca, Ô VACA.


Nessa hora eu montei num porco. Bati a porta do pobre Clio e fui em direção àquela careca.

- Como é que é? Do que o SENHOR me chamou?
- É! Vai se fopiii!


Ódio daquele homem. Se eu estivesse sozinha tinha metido a mão na cara dele porque minha educação tem limite, e ele acaba quando alguém não tem. Tinha idade pra ser meu pai, o animal. Meu avô até. Agressão gratuita me ferve o sangue. Mesmo assim, continuei chamando aquela uva-passa de SENHOR.

- Ãhn? O que o SENHOR disse? Tá me xingando por que, na frente de uma criança? O que eu fiz?
- Tá trancando a minha vaga!
- Não estou não SENHOR. O guarda me autorizou a parar aqui, o SENHOR pode estacionar na sua vaga sem problemas, tem um espação. E mesmo que não tivesse, o SENHOR não teve que esperar, eu já estava tirando o carro daqui.
- Vai se fopiii, vaca.


A essa altura, minha mãe estava verde de medo que ele tirasse uma arma da cintura. E eu estava vermelha de ódio já querendo cravar as unhas naquela cabeça e arrancar os dois fios de cabelo branco que ele tinha.

- O SENHOR é um mal-educado, baixo. Mora nesse condomínio mas devia morar na favela. Não, favela é muito pra alguém como o SENHOR. Podia ser meu pai. Aliás, deve ter filha. Ela sim, deve ser uma vaca.

Vovó Carmela me puxava pelo braço. Eu tremia de gana. O guarda, a essa altura, já tinha dito pro velho careca pai da vaca que ele seria multado pelo que estava fazendo e que teria seu nome registrado no livro de ocorrências do condomínio.

Quando minha mãe enfim consegue me arrastar em direção ao meu carro, resolvo que ainda tinha que dizer mais uma coisa praquele SENHOR, num tom de voz baixo, leia-se baixo mesmo, quase uma lady:

- Olha, o SENHOR não me conhece. Não sabe se sou vaca ou não. Mas eu não preciso te conhecer pra ter certeza de que TU É BROXA!

Deu ré, mudo e com mais nada entre as pernas além do rabinho.

Sábias palavras, Ale. Pessoas assim não podem estragar nosso dia. Nós é que podemos estragar a noite deles. Velho broxa. Que se foda. Sem piii.

Tuesday, April 29, 2008

Azeda

Estou há exatos 15 dias numa dieta de desintoxição. Ordens da Dra. Ortomolecular. Além de ter que engolir TODAS AS MANHÃS, em jejum, 100ml de água com o sumo de um limão, estou proibida de tomar bebida alcoólica e de chegar perto de qualquer tipo de doce. Sem açúcar e carboidratos, estou chata, respondona, irritada. Meu novo apelido lá no lugar onde ganho o pão preto light de cada dia: aminoácida.

Thursday, April 17, 2008

Sinal dos tempos

Diálogo entre duas amigas numa mesa de bar com dois homens.

- Saco.
- Quê?
- Esqueci meu celular no carro.
- E?
- Precisava mandar um sms a-go-ra.
- Pra quem?
- Pra ti.


Porque a gente não tem mais idade pra ir ao banheiro em dupla.

Wednesday, April 09, 2008

Das coisas que não descem na goela

Eu acho muito legal pessoas que fazem. Pessoas que ajudam. Pessoas que emprestam. Pessoas que socorrem. Pessoas que doam. Pessoas que se doam. Pessoas que dão. Eu acho legal pessoas legais. Eu juro que acho. Mas não gosto, não gosto mesmo, de gente que conta, gente que fala, gente que grita o tempo todo e pra todo mundo ouvir que ajudou, emprestou, socorreu, deu, fez e refez. Pra mim, doação que precisa de testemunha perde a legitimidade. E, principalmente, deixa de ser natural e sincera.

Grosseiramente falando, é aquele papo do cara que tava numa ilha quase deserta. Lá também estava a Angelina Jolie. O cara ouve uma voz que diz que ele tem que escolher apenas uma das duas opções, sob pena de receber uma maldição: comer a Angelina Jolie e não contar pra ninguém ou não comer e poder dizer aos quatro ventos que comeu. Atenção, homens! Não existe a opção três: não comer a Jolie, mas ela espalhar pro mundo que foi comida por você e foi bom.

Come. Mas come em silêncio. É tão mais legal!

Thursday, April 03, 2008

Pushing Daisies

Mais um vício dos bons. Talvez porque primeiros episódios sejam sempre bons. Pushing Dasies começa a ser exibida no Brasil pelo Warner Channel a partir de 10 de abril, às 21h. Como eu nasci de sete meses (mentira, mas poderia ser verdade), não aguentei esperar e já estou assistindo aqui neste monitorzinho mesmo. Muito bem feita, com uma liguagem diferente, engraçada, triste, emocionante e ridícula ao mesmo tempo, a série tem como personagem principal um cara que tem o poder de ressucitar as pessoas com um toque. Acontece que, se tocar nelas de novo, elas morrem de vez. Tudo começa com ele ressucitando a mulher que é o amor da vida dele. E percebendo que nunca mais poderá tocar nela. Ótima diversão enquanto seu Lost não vem.

Saturday, March 29, 2008

The beauty and the little beast

Assistia eu ao Superbonita no GNT quando João começa a insistir pra eu liberar a tevê da sala, onde está ligado seu Playstation II.

- Espera, guri, o videogame não vai fugir.
- Mas mãe...
- Calma, João, deixa meu programa acabar.
- Mas mãe...
- Falta pouco, filho, seja paciente.
- Mas mãe, pra que ficar vendo esse programa? Isso só vai fazer tu te sentir mais feia.


...

Sairemos do ar por alguns intantes para troca de equipamento.

Thursday, March 20, 2008

Derreti

Meu presente de Páscoa veio de Londres, comprado pela minha amiga Ju Rossi. Obrigada, Juju! Quem precisa de chocolate com uma bolsa dessas?


Sunday, March 16, 2008

No fundo do mar tinha uma pérola

Minha mãe e eu comendo no McDonald´s:

- Minha filha, tá tão magrinha, mais ainda com essa calça preta...
- Tô?
- Tá, parece um Neminho.
- Neminho?
- É, um Nemo.
- Ué, eu pareço um peixe por que? Grande em cima e com a cintura fina?
- Hahaha! Não, peixe não, Nemo! Aqueles que ficam em bando aqui na frente do shopping, bem magrinhos e vestidos de preto.
- ...

Friday, February 29, 2008

Momento "falando sobre o BBB8" pra não falar sobre mim

Concordo MUITO com o meu amigo Giovanni: é uma injustiça dar 1 milhão pra QUALQUER UMA DAQUELAS PESSOAS.

Que saudades da Cida. Falando com os passarinhos, se espatifando na piscina e escovando os dentes na água da banheira onde havia acabado de raspar as pernas.

Monday, February 25, 2008

Só rindo

No MSN:

Henrique: Tudo certo, Manna?
Daniella: Bah, tava dormindo debaixo da mesa...
Henrique: Minha amiga elegante, aquela que saiu diretamente de uma Harper's Bazaar, de uma Vogue, dando uma de pedreiro...

*

Ao vivo:

Fui jantar na casa do meu ex-namorado e quis fazer um agrado pro meu ex-sogro, levando uma garrafa de bebida que tinha guardada. Pouco tempo depois, mas já tarde demais, descubro que o que tinha dentro da garrafa era água. Da pia.

*

Vontade de voltar correndo pra debaixo da mesa.

Friday, February 22, 2008

(L)

E eu que sempre me achei íntima das palavras, hoje sou uma estranha. Elas me fogem. Não as reconheço. Me intimido, me constranjo, me perco e me afundo num universo de combinações que não me deixam escrever. Muito menos falar. Não me faltam palavras. Sobram. Por isso escorrego entre tantos verbos, adjetivos, pronomes. E um nome. Um único nome. Me sinto só uma letra, minúscula no meio de um alfabeto. Mas essa letra, ao lado de outra letra, formaria o início da história linda que eu gostaria de contar, se as palavras, verbos, pronomes e o único nome que preciso para escrevê-la parassem de fugir de mim.

Tuesday, February 19, 2008

Meu pequeno enorme amor


"Eu faço uma mágica e tudo vai ficar bem!"

Quem é mãe, sabe: ver um filho chorando dói muito. E hoje tive a certeza de que o contrário também não é fácil. Criança percebe tudo. Criança sente tudo. É bom preservá-las, sempre. Mas, caso não dê, o melhor sem dúvida é falar a verdade. Nem tente enrolar.

João me pegou na tampinha. Sequei lágrimas, disfarcei, tentei o truque do cisco no olho. Mas ele não é bobo. Resolvi, então, ter uma conversa sincera, clara. Contei por que eu chorava, com todas as letras, sem rodeios. Ele ouviu, com lágrimas nos olhos, mas firme e sem piscar. E me disse, do alto dos seus (quase) nove anos:

- Mãe, vai dar tudo certo. Eu sei que vai. Agora, tenta esquecer. Nem que seja por alguns minutos. Não pensa nisso. Pensa em coisa boa.

A essa altura eu já soluçava sem pudor, claro. Onde já se viu, "nem que seja por alguns minutos"...

- Eu vou colocar uma música e ela vai te ajudar a esquecer. Tá?

No rádio, tocava Fulgás. Então, a música acabou. E ele:

- Viu, mãe?
- O que, meu filho?
- Eu falei que tu ia esquecer. Esqueceu, né?


Claro. Por alguns minutos. Esqueci do que me fazia chorar. E lembrei de como essa criança me faz rir.

Monday, February 18, 2008

Meu todo



É isso o que eu quero. Tatuado na minha pele, na minha alma, na minha vida. Todos os dias, todas as noites. Na hora de acordar, na hora de dormir. Na hora de brigar por causa de bobagem, de emburrar por pura manha, de secar o chão da cozinha. Na hora de fazer as pazes. Na hora do beijo, do abraço, de dar as mãos. Na hora de sermos um. E também quando somos dois, três e, um dia, quatro. É disso que eu preciso para os meus futuros anos. De segunda a segunda, em feriado, dia útil, dia santo e férias. É tudo o que eu quero, do dedo do meu pé até o último fio dos meus cabelos curtos. É isso o que eu espero para o resto dos meus domingos. Espero. Te espero. Porque eu quero isso e mais nada. O resto, é resto.

Sunday, February 17, 2008

Nova temporada

nelsinho diz:
vc e sua cara de atriz de seriado
nelsinho diz:
adoro isso
D. diz:
tenho cara de atriz de seriado?
nelsinho diz:
tem
nelsinho diz:
mas não conheço os seriados
nelsinho diz:
então não sei dizer qual
nelsinho diz:
mas pelos comerciais tem
D. diz:
hahahahhaa!!!!
D. diz:
mas por que isso?
D. diz:
adorei!
nelsinho diz:
uai
nelsinho diz:
é só olhar a foto, não sei explicar
nelsinho diz:
é pq é cara + roupas
D. diz:
vou escrever sobre isso
nelsinho diz:
essa foto do menor rabo de cavalo
nelsinho diz:
é chamada pra seriado
nelsinho diz:
tipo, aparecem vários quadradinhos superpostos na tela
D. diz:
ahahahhaa!!!!
nelsinho diz:
um pra cada personagem
D. diz:
eu sou a menininha de rabinho
nelsinho diz:
é
D. diz:
oba

Nada como uma levantadinha na nossa bola quando ela está murcha, murcha. Num domingo quente, cinza, vazio e, digamos, solitário e pensativo. Fora o fato de que dei uma paradinha rápida no msn entre uma varrida e outra na casa, usando pijama velho, piranhas coloridas no cabelo e com a velha cara amassada de uma noite mal dormida.

Nelsinho, estaria você falando de A Diarista ou de Betty, a Feia?

Friday, February 15, 2008

A soma de todos os medos

Há tempos venho querendo fazer isso. Reunir velhos amigos numa mesma mesa de bar. Agora, D.Original Soundtrack e Whogubi juntos, neste endereço. Os posts antigos seguem , juntando tanto pó quanto a minha estante de Cd´s. Posts novos, só aqui.

P.S. Estranha sensação de que quase todos os filmes continuam depois dos créditos. A gente é que raramente fica pra ver.

Friday, January 11, 2008

Mais uma do Joãozinho

João assistindo comigo a uma entrevista com Gisele Bündchen, um pouco antes da sua primeira entrada na passarela do Fashion Rio.

- Quem é essa?
- É a Gisele Bündchen, João. Modelo. É considerada a mulher mais bonita do mundo.
- A mulher mais bonita do mundo? Ah, mas não é MESMO.
- Tu não acha?
- Não.


Olha mais um pouco, em silêncio. Vira pra mim e diz:

- Essa mulher não come?


Então a mulher mais bonita do mundo é questionada sobre seu estado civil e responde as gargalhadas que é solteira. Um prato cheio para que o pequeno João conclua:

- Eu falei que não era. Impossível a mulher mais bonita do mundo não ter marido.

Tuesday, December 11, 2007

Wellcome to my life



Eu só queria de vez em quando poder andar de carrossel.

Tuesday, December 04, 2007

Daniella, hoje, ao GANHAR um ingresso para o show do Police

Wednesday, November 28, 2007

Brinquedinho novo

Não vai mais colar dizer pro chefe que sou grande mas não sou duas.


Tuesday, November 27, 2007

Like Frankie said I did it my way

Eu não gosto de aniversário. Não espero que seja um dia diferente de outro. Se puder esconder de todo mundo o meu, melhor. Mas tenho que confessar que gosto de boas surpresas. E gosto de abraços apertados. Choro com scraps, mesmo que o Orkut facilite a lembrança até daqueles que não decoram nem a data de nascimento da própria mãe. Me emociono com palavras sinceras. Adoro e-mails escritos pra mim, só pra mim, onde latejam sentimentos que eu nem sabia que existiam. Adoro receber telefonemas inesperados ainda que num dia onde o que mais se espera são justamente telefonemas.

O dia 27 de novembro de 2007 me rendeu as tais boas surpresas. Dos telefonemas de quem não se espera até o almoço de última hora com pessoas que moram no meu coração mole. Do buquê de flores mais inesperado ainda, entregue por um doce amigo, até o presente que apareceu do nada em cima do meu teclado, vindo de uma pessoa que mal conheço. Presente também foi a conversa por escrito com alguém muito, muito especial, com quem não falava há um bom tempo e de quem sinto saudades. Muitas.

Eu não gosto de aniversário. Mas nada como a experiência dos anos e um dia surpreendente para me fazer mudar de idéia. Afinal, como diz minha amiga Kelen, "o dia do nosso aniversário é um dia meio mágico, que faz milagres na nossa vida e com a gente mesmo".

Eu não esperava. E hoje foi um dia maravilhosamente surpreendente.

Wednesday, November 21, 2007

Amar é...

Ele me faz carinho antes de dormir. Ele me acorda passando a mão na minha barriga. Ele coloca a mão na minha coxa enquanto estou dirigindo. Ele me liga pra dizer que está com saudades. Ele me manda mensagens pra dizer que me ama. Ele também diz que me ama olhando nos meus olhos. E ele me surpreende, me emociona, me faz feliz e faz meu amor aumentar a cada dia.

Ontem à noite, cansada depois de mais um dia daqueles, me atirei no sofá. Liguei a televisão. E fiquei lá, jogada. Ele veio do quarto, me olhou docemente. Parou na minha frente, se ajoelhou, feito um príncipe. Tirou algo do bolso, pegou minha mão esquerda e disse, enquanto colocava lentamente um anel de prata no meu dedo:

- Você aceita ser minha mãe pra sempre?

Aceito, João. Como não aceitar a única certeza que tenho nessa vida?

Monday, November 19, 2007

Um viva para os tradutores de filmes

Se eu morasse dentro de um filme, como eu sempre quis, um filme assim, de ação-aventura-romance, este seria o momento em que o mocinho-narigudo-charmoso diria:

- Temos que salvar Daniella. Ela está em apuros!

Tuesday, October 30, 2007

E o que é que a gente não faz por amor

João, domingo passado, entrando em campo com o Tcheco no Olímpico antes do jogo Grêmio e Náutico. Já não choro mais de frustração por não ter um filho colorado. Choro de emoção por ter um filho feliz.

Sunday, October 21, 2007

1 ano e 7 meses

Até o fim do ano periga ele estar falando toda a escalação do Inter. Ou do Borussia Dortmund. Algo tipo Weidenfeller, Kringe, Brzenska, Wörns, Dede, Kruska, Njambe, Tinga, Federico, Klimowicz e Nöthe.

video

Monday, October 15, 2007

Reality bites

A cada dia que passa tenho mais e mais certeza de que li contos de fadas em excesso na minha infância. Como se não bastasse, também vi romances demais na minha vida. Tenho um amigo que diz que tudo é culpa do cinema. Todos os nossos desejos, nossas idealizações, nossos complexos, nossas frustrações, nossas esperanças. Eu concordo, mas culpo antes os roteiros, as sinopses, os argumentos, os contos, os livros, a História.

Definitivamente, eu vi Sessão da Tarde demais. E assisti mais do que exageradamente todos os filmes do John Hughes. E acreditava na pureza da Julia Roberts em Uma linda mulher, mesmo com suas botas de vinil em plena Hollywood Blvd.

É. Foi-se o tempo do príncipe montado no cavalo branco. Hoje ele vem a pé. Ou pede carona pra uma colega do trabalho. Ou nem vem, mesmo que tenha marcado com a gente. Fica por lá mesmo, com a tal colega do trabalho, e manda o cavalo sozinho na frente pra ganhar tempo e pensar numa desculpa qualquer. E longe de mim pensar que ele próprio poderia ser um cavalo.

Os anos passaram e nunca mais vi Sessão da Tarde. Acho os príncipes uns babacas e as princesas umas sem-graça. Gosto dos bravos, dos corajosos, dos de voz forte. Dos que nem gostam de princesinhas de pele alva e bochechas cor de pêssego.
Gosto de reis. Os reis não só mandam fazer como vão lá e fazem. Os reis não têm meio termo. Ou são amados ou odiados.

Henrique VIII, por exemplo. É com ele que eu dou uma sonhadinha de domingo pra segunda, após mais um episódio de The Tudors. Sonho sim, mas com Jonathan Rhys Meyers, a ilusão. A mentira.



Henrique VIII é a verdade. E, não tem jeito, na ficção ou na realidade, a verdade sempre dói.



(The Tudors: domingos, às 23:00hs, no People+arts. Reprises nas quartas, 21:00hs. Vale dizer que os episódios de quarta têm cortes, sem as cenas de sexo e violência.)

Sunday, October 07, 2007

Pequeno Goya

Depois de passar quase três horas no cabelereiro, comento com o João:

- Ai que saco... isso demorou muito. Fulana é muito lenta pra pintar cabelo.
- Mãe, blablablablabla.

Como? Eu só posso ter entendido errado.

- O quê, João?
- Mãe, não se apressa a arte.


João frequenta exposições. João faz visitas a museus. João foi à Bienal. João é, definitivamente, um artista das palavras.

Tuesday, September 25, 2007

Até

Recebo um email da profissional aqui da agência responsável pelas viagens:

- Preciso do teu RG e da tua preferência por assento no avião.


- Tanto faz janela ou corredor. Só não quero no meio. Meio, nem pensar. Não dá, né? Dormir com a cabeça pendurada no vizinho é humilhante. E pendurada pra frente, dói. Prefiro as poltronas lá na frente, beeem na frente. Melhor ainda se for na primeira fila. Tem espaço pra esticar as pernas e fico longe da asa. Perto da asa treme muito. E lá no fundo eu não gosto. Me dá uma sensação ruim quando o avião decola. Parece que vou ficar pra trás.

Minutos após minha resposta, chega a de um amigo que vai na mesma viagem e estava copiado no email:

- Pra mim pode ser em qualquer lugar. Até do lado da Dani.

Agradeço a ele por não ser assim tão exigente.

Friday, September 21, 2007

Orgulho carioca

Mãe, mãe! É aqui que eu trabalho. Com essa gente toda. E tá vendo aqueles ali, num palco improvisado? Pois então, são meus chefes. Um dia, eu fico rica. Por enquanto eu me divirto.

Alguém tem que cuidar do loja

Enfim alguma coisa além do meu corpo robusto está tomando forma: idéias e mais idéias começam a sair do papel, como a camiseta aqui debaixo, produzida pela La Película. Encomendas, no meu e-mail ou direto no site deles. O leitinho das crianças agradece.

Sunday, September 16, 2007

Ponto para os meninos


Há tempos não lia Carpinejar. Aquele universo de poesia, belas palavras e romantismo não tocava mais meu coração. As emoções batiam e voltavam. Porém, numa noite de sábado com tosse, pijama e máscara hidratante no rosto, me entreguei à leitura de um texto que encontrei fuçando nos escritos do poeta: estava lá, a conclusão que há muito venho procurando, mesmo não sabendo que procurava: "Quando um homem entende demais, seduz. Quando um homem não entende nada, ele se apaixona."

Quem mandou eu me explicar.

Friday, September 14, 2007

Meu canto

A minha cara. Mentira. Muito mais bonito que a minha cara. Olha lá, no Entre Paredes, novo blog da minha amiga-arquiteta-irmã-mais-nova Kelen Tomazelli.

Wednesday, September 05, 2007

Novela de catigoria

Andam dizendo que ninguém matou a Taís. Que quem morreu foi a Paula. Se isso for verdade, vai ser a primeira novela a deixar o mocinho órfão de mocinha no final. E a ter um enterro em vez de um casamento no último capítulo. Se isso realmente for verdade, Gilberto Braga ocupará, enfim, o lugar de Janete Clair no meu coração.

Tuesday, August 28, 2007

Tortura



Pilates a partir de amanhã. No pain, no gain. O próximo passo é parar de tomar refrigerante, daqui a uns 20 anos.

Monday, August 27, 2007

Outra do Joãozinho

Oito meses antes e João já está ansioso com sua próxima festa de aniversário. Este ano íamos comemorar com um festão junto com a prima, mas problemas de agenda acabaram cancelando nossos planos.

Ontem, deitados na minha cama e conversando no escuro, ele engata uma primeira, meio sonado:

- Mãe, tava pensando... O tema da minha festa podia ser Transformers!
- Podia mesmo. Transformers é legal.


Silêncio. Sono.

- Mãe, pensando melhor, a festa podia ser dos Simpsons!
- Ótima idéia, João. Simpsons é perfeito pra uma festa.


Enfim, vamos dormir.

- Mãe, mudei de idéia. Ano que vem vai ter outro filme do Batman! Minha festa vai ser do Batman!
- Isso, filho. Que bom. Se bem que tanto filme vai ser lançado até abril que tu vai mudar de idéia várias vezes... Agora vamos dormir, tá?


...

E quando eu penso que ele já está no décimo sono:

- MÃE! Já sei! Minha festa podia ser do Primo Basílio!

Quatro da tarde e, desde já, desejo uma boa noite a todos. E que meu irmão não leia blogs. Ou pelo menos que nunca tenha lido Eça de Queiroz.

Wednesday, August 22, 2007

Megazord

“...Na volta, em Roma, comprei uma coisa pra ler: um Guardian - jornal inglês - e lembrei de ti com um artigo que eu li. Achei querido e verdadeiro. Eu não ficaria surpreso e até torci para encontrar "Daniella Ferreira" na assinatura dele. Não só pelo tema, mas pela forma de escrever, sentimentos e afins. Enfim, guardei porque achei que tu iria gostar.”

E gostei. Gostei muito. Do artigo e de ser lembrada por ti lá na Europa, assim, do nada, em pleno Leonardo da Vinci – melhor nome de aeroporto, palavras tuas. Quem me dera escrever assim, ainda que em português. ;)

Who knew a bad girl could be a good mum?

A rock critic who once got married in a gorilla mask, Evelyn McDonnell worried that having a child would curb her spirit. In fact, it made her more radical than ever.

The other morning, I had an argument with the chauvinist pig with whom I frequently share a bed.

"What Power Ranger do you want to be?" Cole asked.

"The red one," I said. (If there's one thing I've learned in the past few years, it's that the red Power Ranger gets the most action.)

"Girls can't be red ones!"

"Girls can do whatever boys do, honey," I said, rising into a sleepy battle pose to prove it.

"No way. You're the pink Power Ranger."

"Do you really think pink is my colour?" I asked, flexing the Chrysler Building tattoo that rises out of an aquamarine sky on my left bicep. "Transform, Power Ranger, power of the Phoenix!" I shouted.

Then I began tickling my opponent until he sobbed with laughter: "Mummy, stop it!"

At four years old, my son is something I thought I would never say, unless I was describing, in appreciative terms, the fierce guitarist of some all-dyke punk band. Cole is "all boy". He is forever running around our Miami Beach bungalow saying, "Whoo-yah!" and when I try to get him to play something nice - like letting his little dinosaurs relax and enjoy a tea party - the toy tableau inevitably winds up in a massacre. Cole, the only genetic offspring of a punk-loving pacifist, likes war.

If there had been a caption in my high-school yearbook that read, "Least likely to parent," it would have been under my picture. Suzi Quatro, not Suzy Homemaker, was my 1970s tomboy-childhood role model. In high school I stared endlessly at a Patti Smith poster on my bedroom wall and sang along with her: "Jesus died for somebody's sins, but not mine." I eventually followed my poetess muse, leaving the American midwest for the urban east and becoming not a rock star, but a rock critic (one of Patti's sometime pursuits).

My passions were literature, music, travel and sex; I was a bohemian adventurer-cum-career woman. When "riot grrrl" bands such as Bikini Kill and Tribe 8 led a merging of punk and feminist rebellion in the early 1990s, I marched down New York's Fifth Avenue under their pirate banners, topless and smeared, Slits-like, in mud. I revolted against femininity with purple hair, rapacious lust, a zine called Resister, and an anarcho-feminist wedding in which I strode out playing the wedding march on an electric guitar and wearing a gorilla mask. (The image endures; the marriage doesn't.)

It's not that I didn't want to have kids. Family was just low on my to-do list. And as it took me longer and longer to scratch out the higher-priority items - become a famous author, write a great song, find my true love - I began to wonder if I would ever get to it. I was also scared. Of the responsibility. Of how parenting would change me. Of being a lousy mum.

Finally, in my 38th year, I found the husband who stuck, and became pregnant. My body went through a transformation that I surprised myself by loving - I had breasts! I offended matronly types at gigs by showing off my potbelly (which, as my son jostled inside, I dubbed "the mosh pit").

The commercial cliche decrees "a baby changes everything" and Cole's birth was certainly the single most transformative experience of my life. He became my anchor, the substantive connection to life and the world that I had sought, maybe too desperately, in romance. He was my daily reminder to savour the moment, and the reason why I needed to create hope for a future. Cole takes and hurls back all the love I had been wantonly tossing at life, without diminution or qualification. He has given me a faith in myself that I spent years fruitlessly trying to drag out of the male hierarchy at the rock magazines I worked at. Who knew a bad girl could be a good mum?

But "everything" is a big word. Eventually I emerged out of the sleepless, hormonal tunnel of love that is parenting during a baby's first couple of years and realised the things that hadn't changed. Confronted with the realities of a country that claims to be leader of the free world but doesn't provide universal health care, parental leave, or child care, I found that I was more of a feminist than ever.

Having already been a stepmother to my husband's two daughters had certainly taught me a little about the sometimes ego-effacing demands of parenting. Nothing can burst a hipster's bubble like two beautiful, stylish teenage girls. Karlie and Kenda taught me that it was OK to not always be the centre of attention; they showed me a new meaning of the old riot-grrrl phrase: "Support girl love."

Our non-traditional cut-and-paste job is typical of a "new generation" of families. Raised on alternative lifestyles, newspapers and rock, my peers and I are now alterna-mums and alterna-dads. We tend to be in our 30s and 40s when we have kids; we are families with two mums, adoptive parents, or unwed partners. "Conscious parenting," as one member of a kid rock-group, the Sippycups, has called our approach to child-rearing, runs deeper than dressing our offspring in romper suits bearing the logo for now-defunct punk venue, CBGB. It is about raising our kids to share our beliefs and our value system. Punk isn't just a style, it's a way of taking on the world, a protest, a voice and a mission.

The single woman's fear is that a child will steal her independence. Granted, post-Cole I can't stay out late at night as much as I used to, but rather than "settling down" and having kids, I've realised I have to up the ante. After all, I now have a vital, personal stake in the future, for whom I have to work all the harder to make the world an egalitarian, green, free and safe place - with really fierce music.

In my case, that means reminding Cole that there are female Power Rangers too, and that they don't all wear pink. I worry that my son is growing up, post-backlash, in a more sexist culture than the one I enjoyed in the relatively liberated 1970s. These are pugilistic, feudal times; every girl has a princess party, all the boys are warriors.

My children have taught me what should have been obvious: that mothering is as important a part of the feminist fight as being a successful career woman or a punk artist. I'm a warrior, too - now more than ever. I may pick my battles a little more wisely - but watch out for my Megazord move.

Evelyn McDonnell


Beijo da Power Ranger Preta pra ti, M.H.

Monday, August 20, 2007

Rindo por dentro

Foram quase duas horas na sessão de limpeza de pele. Procedimento caro, aparelhos de última geração, atendimento cheio de nove horas e uma lista infinita de cremes milionários prescritos pela esteticista metida a PhD que passou as mesmas duas horas repetindo que minha pele era boa, mas que nela estaria faltando vício.

Meia hora fazendo as unhas da mão, R$11 por uma picada de alicate no canto do dedo e um esmalte baratinho da Colorama. Papo vai, papo vem - porque manicure e falta de assunto são duas coisas que não co-habitam - e a menina me conta sobre a pechincha que pagou por uma bota de película.

Saturday, August 18, 2007

¿que haré?



Yo no sé qué será de mi ahora
Yo no sé qué será de tí.
Habrá que esperar.

Decidir, elegir, qué llevar, qué queda
Embalar, viajar...
¿qué será de mi jardín sin agua que lo riegue?

Vaca que cambia de querencia...
¿deberé o no volver? me arriesgaré aunque no quiera
Deberé salir a ver para entender que yo no sé qué será de mi
¿que haré?

Friday, August 17, 2007

A seguir cenas

Tem um outdoor atualmente em Porto Alegre que diz o seguinte: Loucura. Loucura é a falta de leitos psiquiátricos. Como publicitária afirmo que achei ruinzinho, criativamente falando. Mas como cidadã o que eu tenho a dizer é: providenciem logo esses leitos que faltam, por favor. Ou então liberem os louquinhos infensivos pra sobrar mais espaço pros perigosos e sórdidos, que se alimentam da sanidade alheia.

Estaria Gilberto Braga escrevendo o roteiro da vida real?

Wednesday, August 08, 2007

Madureza


Esta sou eu. Pelada, descalça e morando num barril de cachaça, na visão dele. Bom, tiraram minhas roupas mas pelo menos deixaram meu beiço. E afinal, quem se importa de ser pobre tendo amigos tão valiosos?

Apontamentos e desapontamentos

- Tudo isso cansa. Toda essa gente cansa. Todo esse desgaste cansa. Chega do mesmo. Quero mudar, conhecer pessoas novas.

- Isso se chama fugir. E não enfrentar é não viver. Pessoas novas só são novas até o primeiro contato. Depois são apenas pessoas.

Tuesday, August 07, 2007

Russian Dolls


Wendy: I know you're not always perfect. I know you have tons of problems, defects, imperfections... but who doesn't? It's just that I prefer your problems. I'm in love with your imperfections. Your imperfections are just great!
[... ]
I know most girls they get weak on their knees for what's beautiful, you know, that's all they see, that's all they want. But I'm not like that. I don't just see what's beautiful. I fall for the other stuff. I love what's not perfect. It's just how I am.


Seja um homem imperfeito. Mas seja homem. Seja você quem for.

Thursday, August 02, 2007

Everybody hurts

E tem aquela piada do fanho que queria um pênis maior e o gênio da lâmpada prontamente apareceu com um tênis de jogador da NBA.

Pois ontem eu desejei com todas as minhas forças uma massagem. Daquelas feitas por um japonês que sobe nas tuas costas e caminha feito uma pluma dissolvendo todos os teus nódulos. Eu só devia ter sido mais específica no desejo, já que hoje meu corpo lateja como se tivesse sido pisoteado pelo japonês errado.



Dói até a alma. Da saudade do que não vivi. Sou uma criança ranhenta pedindo atenção no sinal vermelho.

Tuesday, July 31, 2007

Alex Kid´s

Nasceu o primeiro filho virtual da minha amiga Alexandra. Aquela que até pouco tempo atrás estava grávida aqui do meu lado. Aquela que conheço há 18 anos. Aquela que comeu arroz de leite por 9 meses. Aquela que agora tem dois filhos e um blog pra alimentar.

Tuesday, July 24, 2007

Eu torço pra gêmea má

- Seu Olavo, a fulana está atrás do senhor.
- Que atrás de mim o quê. Olha o respeito. E desde quando eu sou homem de entrar em fila pra ter alguém atrás de mim?
- Desculpe, Seu Olavo, eu quis dizer que a fulana está procu...
- Quis dizer nada. Onde já se viu mensageiro falando com o diretor do hotel? Lugar de mensageiro é LÁ no fim da cadeia alimentar. Depois do plancton.
- ...

Sem mais para o momento,
Atenciosamente

Daniella Ferreira

Thursday, July 19, 2007

Las Bocas

O chão que nós beijamos:


O argentino que eu grudei:


O churros que nós mordemos:


E a boca mais perfeita de Buenos Aires, por onde só os nossos olhos passaram:


Mais fotos, acá.

Wednesday, July 18, 2007

Luto


- Não gostei muito da aterrissagem. Fiquei com medo.
- Eu adorei... Pra mim, que ando com um certo pânico de avião, não tem nada melhor do que sentir que as rodas tocaram o chão e que o pior já passou.


Sensação estranha de ter voado um dia antes. Sensação boa de estar em casa. Triste tudo isso. Muito triste. Que Deus proteja a todos. Os que foram e os que ficaram.

Tuesday, July 17, 2007

Buenos Aires Parte I - Durma-se com um barulho desses

4 da manhã no Hostel Palermo House. Sem citar nomes porque o que acontece em Buenos Aires, morre em Buenos Aires. A pior noite da viagem foi também a melhor. Rir da nossa própria desgraça é o melhor remédio. Não, não. O melhor remédio é Dormonid, que faz uma pessoa dormir profundamente, roncar feito um Cadillac velho e não acordar nem com cinco mulheres gargalhando ou PULANDO na cama de cima.

Friday, July 06, 2007

Usando meus sapatinhos de rubi

O corpo da gente não é bobo. Sabe que é sexta-feira. Sabe que amanhã é sábado. Mesmo que hoje fosse terça, véspera de uma quarta com feriado, saberia também. Sentiria. Porque o corpo sabe quando pode se permitir sentir aquela bobeira. Aquele cansaço de uma sexta que antecede uma manhã de sábado, com horas de sono a mais.

*

Estou cansada. Muito. Olhos ardendo de tanta luz de escritório. Pernas pedindo mais alongamento do que o feito logo após os 4km corridos na hora do almoço. Ombros tensos. Pedindo uma massagem dolorida, não carinhosa. Daquelas massagens que deixam as costas quentes de tanto atrito.

*

Ironia também me cansa. A minha própria, inclusive. Não sei ser de outro jeito. Queria ser doce, mas ficaria enjoada rapidamente. Prefiro o salgado da lágrima a uma torta coberta de merengue.

*

A Fox resolveu dublar todas as suas séries. O aeroporto de São Paulo vai estar em greve na próxima quarta. Minha mala está mentalmente pronta. E eu preciso baixar legendas pra entender o que os argentinos dizem.

*

Estou contando as horas para amanhã. Nunca quis tanto cortar os cabelos. Páginas e páginas de Elles e Vogues depois, não sei do que tenho mais receio: voltar pra casa com outra cara ou totalmente igual a sempre.

*

O corpo da gente não é bobo. Sabe que é sexta-feira. Mas o coração ainda acha que é uma segunda qualquer.

Friday, June 29, 2007

Sobre meninos e peixes

Então o mês passou, a semana passou, os dias passaram, as horas voaram e eu fui sugada pelo excesso de trabalho e, consequentemente, pela falta de tempo. Agora, nesta-sexta-feira-29-de-junho-de-2007, dia de pagamento, dia de sol e dia de pauta bem mais-ou-menos, me soooobra tempo. E me falta o quê? Assunto. Mas tudo bem, ando mesmo numa fase de achar que posso ser feliz em silêncio, sem tumulto, sem raciocinar, sem questionar por que existem tantas formas de se escrever porquês.

Me permito esquecer por alguns momentos meus grilos e minhocas. E falar sobre peixes. Mais especificamente o Candiru. Ou Peixe-pênis. A primeira coisa que vem à cabeça (não, não tem um trocadilho infeliz aqui) é que é um peixe que tem um formato semelhante ao de um pênis. Antes fosse.

Segundo o Dicionário de Animais do Brasil, esse bichinho nojento e comprido, bem fininho, "tem a perigosa mania de penetrar na abertura urogenital dos banhistas, principalmente nos homens". Ou seja, veja bem onde você vai dar banho no seu pênis e pense dez vezes antes de se refrescar no Rio Amazonas sem sunga.

Ao urinar na água, a pessoa está dando sinal verde para que ele ataque, pois o maldito se sente atraído pela uréia. Dizem os especialistas que se houver alguma tentativa para retirá-lo da uretra, o Candiru abre os dois dentes (semelhantes a espinhos) que ficam lateralmente embaixo da cabeça, rasgando o tecido. Ai. A única maneira de tirá-lo é através cirurgia, só que até chegar num hospital, seus testículos já estarão do tamanho de um peixe-boi.

Fico imaginando - sim, porque quem me conhece sabe que imagino TUDO - esse peixe metido à cobra entrando por aquele furinho tão ínfimo e passando apertadinho por todo o "trajeto" do pênis, indo sei lá pra onde. Me vem aquela imagem do Pequeno Príncipe, quando o aviador desenha um chapéu que ele afirma ser uma cobra que engoliu um elefante.

Então o mês passou, a semana passou, os dias passaram, as horas voaram e eu fui sugada pelo excesso de trabalho. Bom, pelo menos foi só pelo trabalho.

Bom fim de semana a todos.

E que a partir de segunda eu tenha mais tempo. E mais assunto.

Tuesday, June 26, 2007

Sinal de vida

Trabalho, trabalho, trabalho e seriados têm tomado meu tempo. Espero voltar em breve. Tipo amanhã.

Saludos.

Thursday, June 21, 2007

Me descobriram

Fiz uma coisa meio ilícita hoje. Foi por uma boa causa, por necessidade, por urgência urgentíssima, quase que por desespero. Fiz, assumo. Não chegou a ser uma mentira, eu acho. Omitir não é mentir, é?

De tarde dei uma entradinha num site pra ver como andava a tal situação urgente urgentíssima. Digitei os dados, os números, os nomes, os tudo. E apareceu o verificador de palavras, com aquelas letrinhas que nunca dizem nada: LIAR.

Medo.

Friday, June 15, 2007

Furos fotográficos


Tô com a impressão de que a Globo tá usando nas cenas de corpo da Camila Pitanga o mesmo filtro que usava para disfarçar as rugas do rosto da Regina Duarte.

Mesmo assim segue linda e gostosa a menina. Como todas nós simples mortais podemos ser, dependendo da lente de quem vê.

Tuesday, June 12, 2007

30 dias e contando



Uma viagem em números:
- 8 mulheres
- 300 emails por dia. Ou mais.
- 8 cheques de alguns Reais. Fora os centavos.
- 8 malas. Ou mais muito mais.
- 1 hora e 15 minutos de vôo para umas; 6 horas, 2 escalas, 1 paradinha no aeroporto de Assunción/Paraguai para outras. Tudo isso multiplicado por 2.
- 16 barrinhas de cereal de abóbora com coco. Ou menos.
- 1 amigo iraniano
- 1 bomba
- 2 quartos
- 1 banheiro e meio
- 40 deliciosos cafés. No mínimo.
- 70 garrafas de Quilmes. No máximo?
- 56 refeições. Ou 66. Ou 74. Ou 10, dependendo do número de sacolas de compras.
- Uns 40km de táxi, mais uns 20 de ônibus, outros 20 de metrô e pelo menos 30 a pé.
- 4 dias
- 4 noites
- 4 madrugadas
- ...
- ...
- ...

E uma infinidade de risadas, palavrões, micos, bobagens, diversão, fotos e, principalmente, milhares de histórias pra contar. Tá bom, tá bom: umas duas ou três a gente guarda só pra nós.

Friday, June 08, 2007

Promessa

- Te faço aqui uma promessa: se o boca tirar a Libertadores do Grêmio, EU BEIJO O CHÃO DA BOMBONERA!

- Eu também. De língua.


A propósito: Saudações Coloradas.

Wednesday, June 06, 2007

Emergência

- Chega, minha filha, não suporto mais falar com vocês. Há dois meses eu ligo pra NET quase que diariamente. Eu quero que vocês todos explodam. Eu quero que tu pegue essa fatura e faça isso que estou pensando agora e tu sabe exatamente o que é. Quero minha TV, meu telefone e minha conexão funcionando AGORA. Mas que merda!

- Senhora, poderíamos estar mantendo o nível da conversa?


- Não. E vocês poderiam começar a manter o nível do serviço?


Eu fui educada por meses. Cansei. Meu sangue ferveu. E pra quê? De nada adiantou. Hoje e todas as outras quarenta vezes eu falei com uma máquina, uma parede, um guardanapo, uma tela de caixa eletrônico, uma ostra. É como se eu desabafasse dando porrada em saco de areia, como se reclamasse para uma boneca inflável, como se implorasse "PELAMOR DE DEUS, EU TÔ PAGANDO, O ERRO FOI DE VOCÊS, DEVOLVAM MEU SINAL, CACETE" para uma pessoa surda, muda e cega. A tal atendente deve ter desligado o telefone, batido o ponto e ido comer no refeitório da empresa, como faz diariamente. TUDO o que eu levei dois meses e quarenta e cinco minutos falando, morreu no tímpano de cada mulherzinha do telemarketing. Falei sozinha. Nada, nenhuma reclamação chegou nem nunca vai chegar em qualquer pessoa num nível acima do dela, muito menos bem acima, alguém que tivesse o respeito e o bom senso de apertar o botão vermelho de emergência e perceber que a NET tem o pior pós-venda do setor de serviços no Brasil e resolvesse ter um sistema decente de atendimento ao cliente.

Não vou dar mais um tostão pra eles, vou cancelar, vou fazer campanha contra, abaixo-assinado, vou entrar no pequenas causas, enormes causas, vou processar, vou torcer pela derrocada da empresa, pela invasão de um grande grupo mundial que tire todos os clientes deles.

Mas o problema é o "não vou". Onde vou ver o último episódio do Dr. Luka Kovac no E.R amanhã à noite??? Preciso de um convite. Por favor, não me deixem falando sozinha.

Sunday, June 03, 2007

Sierra Maestra


Aniversário do Marco Boni. Mais bizarro do que fumar charuto foi encontrar uma orelha no armarinho do banheiro. "Para mujeres curiosssas", segundo o cubano dono do bar.

Friday, June 01, 2007

La garantia soy yo

Espero que eu consiga falar melhor do que eu escrevo. Nossa Senhora Protetora do Boca Juniors, que vergonha.

"Hola, Virginia!

Yo quiero confirmar las reservas. Ya hemos comprado los tickets de avion, llegaremos en buenos aires dia 11 de julio, miercoles, a la noche. E ficaremos en el hostel hasta 15 de julio, domingo a tarde. Como te dije, nosotras somos 6. Gostaria de 2 habitaciones privadas con baño privado, puede ser una cuadruple e a outra triple, mismo que sobre (sobre???) una cama, no hay problema.

Las chicas:
Daniella F.
Kelen T.
Mônica K.
Simone R.
Priscila F.
Paula L.

Fechas
check in: 11 de julio a la noche
ckeck out: 15 de julho

****

Como hacemos para pagar e garantir las reservas?

Gracias e saludos!"


E eu que sempre achei que saludo era saudade. Ou soluço.

Friday, May 25, 2007

Catchaça

Melhor resposta de email que já recebi:

"te, ma nao aira
to bbada. bejuuuuuuuuuuuus"

Friday, May 18, 2007

Na minha mão

Como posso querer que meu filho me obedeça se nem meu mouse me obedece?

Tuesday, May 15, 2007

Monamurrrr


As primeiras 3X4 do italianinho com cara de alemão. Foram tiradas para entrar na escola. Mas ficariam perfeitas no passaporte, para entrar na França.

Wednesday, May 09, 2007

Deu no NY Terra

A Premiere elegeu as 100 melhores frases do cinema de todos os tempos. A revista diz que, independente do gênero do filme, as frases dos personagens são importantes por serem "parte da linguagem que todo mundo compartilha".

Confira as dez melhores frases, segundo a Premiere:

1. "Estão de olho em você, garota."
Rick Blaine (Humphrey Bogart) em Casablanca (1942)

2. "Francamente, querida, eu não dou a mínima."
Rhett Butler (Clark Gable) em E O Vento Levou... (1939)

3. "Rosebud."
Charles Foster Kane (Orson Welles) em Cidadão Kane (1941)

4. "Eu sou o rei do mundo!"
Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) em Titanic (1997)

5. "Senhora Robinson, você está tentando me seduzir, não está?"
Benjamin Braddock (Dustin Hoffman) em A Primeira Noite de um Homem (1967)

6. "OK, Sr. DeMille, eu estou pronta para o meu close up."
Norma Desmond (Gloria Swanson) em Crepúsculo dos Deuses (1950)

7. "Eu poderia ter sido um lutador."
Terry Malloy (Marlon Brando) em Sindicato de Ladrões (1954)

8. "Você está falando comigo?"
Travis Bickle (Robert De Niro) em Taxi Driver (1976)

9. "Eu vou lhe fazer uma proposta que ele não pode recusar."
Don Vito Corleone (Marlon Brando) em O Poderoso Chefão (1972)

E, na minha opinião, a melhor das frases sem verbo da história do cinema:

10. "Aaaaadriaaaaan!"
Rocky Balboa (Sylvester Stallone) em Rocky (1976)

Wednesday, April 25, 2007

Da boca pra fora

Derruba-me com tua camisa branca pra fora das calças jeans surradas. Tua camisa de mangas dobradas na altura dos cotovelos. Teus cotovelos de ossos marcados que precedem antebraços macios cobertos por pêlos castanhos-dourados. Tão castanhos e tão dourados quanto teus olhos quase esverdeados e brilhantes como teu cabelo perfeitamente despenteado. Derruba-me com tuas mãos grandes mas nem tão grandes assim e me aponta o indicador como se tivesse alguma razão no que diz com tua voz forte. Derruba-me deixando eu perceber a marca no teu dedo. Marca de uma aliança que nunca existiu, não além de tratos escritos e destratos falados. Uma aliança que seria eterna se o ouro não carregasse o peso da culpa, do medo, da falta de honestidade e da dissimulação. Eu te entregaria quilates e quilates da minha amizade e a jóia do meu amor se já não o tivesse feito. Me entreguei ao bandido. Derruba-me com tuas palavras vazias que não querem dizer nada além de querer que eu diga o que nenhum dos dois quer ouvir. Derruba-me com tuas falsas intenções, com teus desejos egoístas, com teu interesse momentâneo e teus beijos da boca pra fora.

Levanto-me. Porque uma camisa branca é só uma camisa branca e cotovelos são sempre feios, até os teus. Cabelos castanhos-dourados são cabelos e só cabelos. E olhos esverdeados não me dão mais esperanças. Mãos grandes podem ficar pequenas se usadas de forma errada e indicadores, bem, indicadores não me apontam a direção que devo seguir. Medo é só medo, culpa é só culpa. Mas amor e amizade são tudo. Bens enormes que devem ser guardados e protegidos numa pequena caixinha de veludo azul, dentro de uma caixa maior, dentro de uma gaveta, dentro de um armário, dentro de um quarto. Use apenas em ocasiões especiais. Aliás, não use. Usar jóias verdadeiras é arriscado. Alguém pode te derrubar e roubar de você.

Tuesday, April 24, 2007

My name is Luka

A casa cai aqui dentro e o mundo cai lá fora. Mas faço uma pequena pausa para tomar um café e, nestas rápidas linhas, desejar uma ótima viagem para ele, que nesta quinta voará para o Leste Europeu.

No intuito de facilitar a tua vida, Pedro, aí vai uma dica de algo que ainda não tenho, caso tu dê uma passadinha pela Croácia e resolva cumprir a promessa de me trazer um mimo:



Te cuida lá, carioca. E se passar algum aperto na Eslovênia, basta dizer que tu é amigo de uma amiga do Menezes. Lá ele é rei.

Wednesday, April 18, 2007

Estratégia

Porto Alegre, avenida Salvador França. Na esquina, uma escola para surdos. Bem ao lado, uma loja de mudas.

Monday, April 16, 2007

Peixa

Acordei com desejo de comer tilápia.
Aliás, dormi com desejo de comer tilápia.
A mesma tilápia que comi no almoço de ontem.
E o desejo continua.
Grávida? Não, sem chances.
Fui uma grávida que não tinha desejos estranhos, de tilápia.
Meus desejos eram bem simples.
Tipo mastigar gelo, cheirar Comfort e tomar remédio pra azia.

Wednesday, April 11, 2007

Das coisas que só acontecem comigo

Tudo o que eu mais queria ontem era chegar na minha casa limpa e comer algo quentinho na minha cozinha limpa, tomar o mais delicioso dos banhos no meu banheiro limpo e deitar na minha cama de lençóis limpos. Só que a moça que limpou a casa que eu tanto desejava foi embora levando a chave com ela, porque eu esqueci de avisar que não tinha cópia. Pois é, pior do que não ter casa é ter casa e não poder entrar.

O desespero bateu quando passei pela guarita. A sensação de “que bom que enfim eu cheguei” foi logo substituída pela de “não acredito que vou ter que voltar tudo e dormir na casa da minha mãe”. Tá bom, eu sei, pior que não ter casa e pior que não ter chave pra entrar em casa seria não ter nem a casa da mãe pra dormir.

O porteiro, então, disse o que eu temia:

- Tem chave nenhuma aqui não senhora.
- Tem certeza?
- Certeza sim senhora.


Eram nove horas. E eu consegui entrar em casa às onze, depois de passar muito frio no playground do prédio e de contar várias piadas sem graça pra distrair o João.

O que aconteceu nesse meio tempo? Eu liguei pra pai, mãe, amiga, liguei pro Daniel, liguei pra Deus e o mundo pedindo socorro. E Deus, através da minha mãe, me mandou um chaveiro e sua maletinha de ferramentas. Um chaveiro que me cobraria R$50 em vez dos R$120 sugeridos pelo primeiro pra quem minha mãe havia ligado, um pouco antes da ajudinha de Deus.

Dez e muito o chaveiro chegou. Entre o térreo e o décimo andar, veio dizendo que se a fechadura fosse Doberman a coisa ficaria mais complicada. E mais cara. Argumentei que não era, que a Doberman era a bem de baixo e estava destrancada e que o problema era com a de cima. Chegamos. E a coisa ficou mais complicada. E mais cara. Pior do que ter não ter chave ou não ter casa ou nem ter a casa da mãe é ter uma fechadura ainda mais difícil de abrir do que a Doberman. Quádrupla, disse ele. Essa aqui às vezes nem dá pra abrir. A senhora tem onde dormir? E a faxineira volta quando? Vou ter que inutilizar a fechadura. Vai sair mais caro, dona. E bla bla bla durante meia hora, eu e o pequeno sentados no chão gelado enquanto ele e sua bermuda caindo me proporcionavam a visão do inferno e a falta de perspectiva de enfim entrar na minha casa limpa.

Depois de muito cofrinho de fora e de umas vinte e cinco Ave Marias, a porta dos céus se abriu. Porta aberta, casa limpa, R$50 a menos na carteira e uma imensa sensação de alívio.

- Muito obrigada, moço. Muito obrigada mesmo.

Estendi a mão direita na sua direção. Precisava cumprimentá-lo, precisava agradecer seu empenho por não ter desistido de abrir a porta na primeira meia hora de dificuldade.

Então eu percebi. Ele não tinha a mão direita. Mas já era tarde pra eu sair daquela situação constrangedora. Mantive minha mão no trajeto até encontrar o que era pra ser a mão dele. Apertei. Senti um imenso desconforto, por ele, não por mim. Continuei falando, agradecendo, disfarçando, dando boa noite, pedindo licença, fechando a porta, tomando banho, deitando e pensando. Pensando no que pode ser pior do que não ter chave ou não ter casa ou não ter a casa da mãe ou ter uma fechadura Doberman.

É. Tem coisas que não acontecem só comigo. Graças a Deus.

Tuesday, April 10, 2007

Tagged

Como tempo é dinheiro, vai aqui uma resposta única aos mais de 40 e-mails que recebi hoje com a seguinte pergunta:


- O que é isso? Achei que era vírus.


Pois não é vírus, mas é tão ruim quanto. Assim como você, eu também recebi um e-mail com o subject “Fulano has Tagged you”. Eu já tinha ouvido falar desse tal Tagged, mais um Orkut wanna be. E também já tinha decidido que passaria longe dele. Mas, caí no conto, como ele disse. Acabei clicando pra dar uma olhada, pra saber que cara tinha. E o filho da mãe mandou o mesmo e-mail sacana para TODA a minha lista de contatos.

Se você é um dos que está me amaldiçoando agora, pedir desculpas é só o que me resta. Se não é, logo, logo vai me agradecer por este post.

Monday, April 09, 2007

Ninho

Foi um doce feriado. E isso não tem nada a ver com o único e singelo pedaço de chocolate que comi.

Wednesday, April 04, 2007

Duas linhas de fama


Hoje cedo o porteiro do meu prédio abriu o portão sem eu precisar buzinar. Chegando no trabalho, o manobrista abriu a porta pra eu descer do carro. Garanto que se eu pedisse o segurança até deixava eu passar pela roleta sem o crachá magnético. Na hora do almoço devia ter tentado comer um wrap sem pagar, já que logo depois a manicure retocou meu esmalte de graça e ainda pediu um autógrafo. Como é bom ser famosa, né não, Alemão? Ruim é ser pobre.

Monday, April 02, 2007

Eternal Flame

Fui assistir a Number 23. Jim Carrey com direção do Joel Schumacher, parecia bom. Nada. Grande porcaria. Aliás, as únicas partes boas: um pouco antes do filme começar, quando passou este trailler. E assim que ele acabou e eu fui pra casa dormir.



Aguardando ansiosamente também por Spiderman 3. Fico em chamas com os óculos do Peter Parker.

Tuesday, March 27, 2007

Don´t drink and type

Friday, March 23, 2007

E não me venham citar seus pêlos

Eu e minha convicção de que as pessoas são bonitas pelo que estão e não pelo que são. Fábio Assunção está feio e sem sal na tal novela das oito. E Tony Ramos está bonito, charmoso e pegável.

Tuesday, March 20, 2007

I wanna be Clementine

O problema da cura de uma ferida é que, antes da cicatrização, tem todo aquele processo da casquinha. E a casquinha, vocês sabem, é fininha, frágil. Esbarrou, caiu, deixando à mostra uma ferida ainda mais feia. Uma mistura de carne viva e alma morta.

Monday, March 19, 2007

Férias de mim

"Que emoção estar escondido enquanto procuram por você. Que susto delicioso ao ser descoberto. Mas que pânico quando, estando muito bem escondido, os outros, desanimados, ao final de certo tempo, não o procuram mais. Se você brinca bem demais de desaparecer, os outros o esquecem ali. Você é forçado a abandonar suas pretensões, no momento em que, ao contrário, não o desejam mais.

Nada mais triste do que ter de mendigar a existência e voltar sem nada para o meio dos outros. Não se deve, pois, saber jogar bem demais. É preciso saber deixar que o desmascarem e acostumar-se a esse retorno da regra do jogo. Nem muito rápido, nem tarde demais."

Sabia tudo, esse tal de Baudrillard.

Friday, March 02, 2007

Nip&Tuck

E então ela foi ao cirurgião plástico.
Queria acabar de vez com pequeno complexo.
Ele riu.
Riu muito.
Fez ela se olhar no espelho.
Ela queria chorar.
E ele continuava rindo.
E sugeriu que ela procurasse um colega dele.
Psiquiatra.

Thursday, March 01, 2007

Descendo as cataratas

Não é estranho que quando estamos cheios de tristeza o que sentimos é um imenso vazio?

*

Hoje eu precisava rever um clássico da infância. Tipo aquela MARAVILHOSA cena de um dos melhores desenhos animados da história, quando o cientista canta "Durma Pica-pau, não faça fita...". Só de lembrar disso já fico melhor.

Monday, February 26, 2007

Arquivo confidencial

Conheço a minha história e até dou umas enganadas no destino. Diz um amigo que não vou conseguir lutar durante muito tempo contra o universo e suas conspirações. Acontece que minha relação com luzes, com câmeras e com a fama, mesmo que por 15 mintutos, não é de hoje que não dá certo. Nasci mesmo pra ficar do lado de cá, um tanto anônima, escondida atrás de monitores, de páginas com muitos textos, de fotos que não mostram os olhos, de um nome que às vezes se disfarça de inicial.

Taí minha vida que não me deixa mentir: com apenas dez meses de idade, fui convidada pela editora da Pais&Filhos para fazer a foto da capa. A locação era o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Tudo pronto, fotógrafo e equipe a postos, Daniellinha com um lindo vestido vermelho. Quase o mesmo vermelho que tomara conta dos seus olhos castanhos, congestionados por alguma virose que fazia sua cabecinha pender para a frente. Não havia jeito nem truque de produção nem fita crepe que mantivesse erguida aquela carequinha dourada.

Aos cinco anos, a história que alguns já sabem: Rede Globo, Especial de Natal do Roberto Carlos, gravação na roda gigante do Tivoli Park, eu era a princesinha do Rei. Era, até ser totalmente cortada na edição e de ter minhas cenas substituídas pelas do meu irmão desdentado e comedor de pirulitos coloridos no sobe e desce do carrossel.

Aos sete, uma peça de teatro. Não uma pecinha, mas uma grande montagem que fora ensaiada por meses. Durante a apresentação, para TODA a escola e TODOS os pais, puxei os cabelos da menina que fazia o papel da galinha e fui tirada de cena antes mesmo de entrar.

Com 20 anos fui escolhida na minha turma da faculdade de jornalismo para ser âncora de um telejornal. Tinha voz boa, ótima dicção, longos cabelos, fotografava bem e cabia perfeitamente nos tailleurs com enormes ombreiras que tínhamos à disposição no estúdio. Numa prova de final de semestre, “ao vivo”, me irritei com o pessoal do suíte que não fazia nada certo e dei uma porrada na bancada. Eu poderia ter dito que dei um soco, mas foi uma porrada mesmo. Algo que, em tempos de youtube, seria o vídeo mais visto depois do choque do Lasier na Festa da Uva. Meu editor elogiou minha voz, minha dicção, meus cabelos e até minhas ombreiras, mas não a porrada.

Acho que combino mais com o lado de cá.
Compor em vez de cantar.
Escrever em vez de ler.
Roteirizar em vez de atuar.

Noite dessas sonhei que dava uma entrevista no Programa do Jô. Por que diabos eu estava lá e sobre o que eu falava, não faço idéia. Afinal, o que teria eu pra dizer, sentada naquele sofá? Vai saber, sonho é sonho. E pelo menos no sonho tudo correu bem: nada de menina fantasiada de galinha, nem virose, nem irmão chupando pirulito. Até onde me lembro, Jô Soares me ofereceu a caneca e ainda segurou carinhosamente minha mão enquanto eu respondia às suas perguntas. Depois disso, acordei. O sonho acabou. Na hora certa, antes que ele começasse com sua insuportável mania de não querer interromper, já interrompendo. E aí, bom, aí não teria jeito. Eu acabaria dando minha famosa porrada na mesa.

Friday, February 23, 2007

Back up

Saco. Hoje, lendo o blog do Kako, tive uma sensação ruim, uma mistura de arrependimento e saudade. Ele me lembrou que deletei dois blogs que amava muito, que contavam histórias muito importantes pra mim. Contaram dias, contaram fases, contaram a Daniella de 2004 pra cá e até a Daniellinha que morava no Rio. E eu, em dois momentos de impulso, de tristeza, de decepção, de frustração, fui no botãozinho do delete e puffff, fiz sumir tudo isso. Fiz sumir comentários geniais, divertidos, mal humorados, polêmicos. Fiz sumir o registro por escrito, com data e hora, do início de amizades que tenho até hoje. E até de algumas desavenças. Saco, saco, saco. Ainda bem que tem gente controlada nesse mundo, que tem seus arquivinhos ali, intactos, bem guardados. E à disposição de quem resolve, numa sexta-feira chuvosa, matar saudades de um tempo que não volta mais.

Obrigada, Kako.
Por escrever e por guardar este texto pra mim. :)

Mais uma nos 33
Eu queria aqui escrever umas coisas bacanas para uma pessoa, que como eu sempre disse, é uma das culpadas por esse lugar aqui existir (e como sempre digo, ela não tem culpa disso...). É aniversário dela hoje. Mas, que coisa, acabei vendo que só tenho coisas ruins pra falar dela, não fica bem fazer isso justo nesse dia. Mas vejam só:

- Ela mora lá embaixo, em POA, o que faz com que eu não tenha chance de poder de vez em quando ouvir aquelas frases divertidíssimas que ela solta no Dani,eu.Dani,Ella. numa mesa cercada de amigos e de Bohemias geladas;
- Tem um filho com a verve da mãe, lindinho, que ela deixou virar gremista;
- Faz com que eu fique com um complexo de inferioridade imenso por não ter nem 10% do talento dela pra escrever;
- Já ganhou prêmio em Cannes, eu não ganho nem em rifa de padaria;
- Me "apresentou" via web um monte de gente bacana e inteligente, mas todos eles também moram looonge (o que só aumenta o problema do primeiro item);
- Ela sempre sai bem em fotos;
- E hoje continua longe para que eu pudesse dar um abraço de feliz aniversário.

Viram só? Não arrumo nada de bom, como dar os parabéns? Mas como sou cara de pau mesmo...

Beijão, Dani, tudo de bom pra você.

Thursday, February 22, 2007

João Genuíno

Eu escovando os dentes. João brincando no banho. Finjo que não, mas estou atenta ao diálogo dele com ele mesmo, enquanto promove a luta entre um dragão e uma cobra de borracha:

- Eu vou acabar com você!
- Não vai não, seu dragão!
- Vou sim, porque eu sou autêntico!


Au o quê, João???

- Autêntico. Olhe só o meu tamanho, sou muito mais alto que você!

É. A cobra tomou uma ruim. Parece que faltou personalidade nela...

Tuesday, February 20, 2007

Dez, nota dez


1. Preciso conversar com alguém sobre este filme.
2. Baile de carnaval infantil é muito bom.
3. Eu não sei sambar.
4. Não posso mais ver queijo cheddar na minha frente.
5. Me apaixono pelo homem que assar uma picanha melhor que a minha.
6. Estou ansiosa pela chegada do meu lindo iPod vermelho.
7. Vou cortar o cabelo igual ao da manequim da Le Lis Blanc. Manequim de vitrine. E o que ela usa é uma peruca. Pois é.
8. João adorou tomar "água atômica".
9. Planos só servem pra gente constatar que algo deu errado.
10. Como diria Chico, vai passar. Um dia, passa.

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Wednesday, February 14, 2007

De outros carnavais

"Toda vez que retorno a um lugar onde não ia há muito tempo, principalmente aqueles frequentados na infância e adolescência, tenho a sensação de que ele encolheu. Eu sei, o certo seria ter a (verdadeira) sensação de que eu cresci. Mas não. Tenho certeza de que o lugar encolheu. O condomínio onde eu morava quando vim do Rio pra cá, por exemplo: encolheu. Na quadra de esportes tinha uma arquibancada enorme. Pra chegar até a última fileira de bancos era uma infinidade de pernadas. Hoje ela não passa de meia dúzia de degraus. E o caracol, então? Uma rampa cheia de voltas que não acabava nunca. Pra chegar no andar da sala de jogos, eu preferia pegar o elevador a enfrentar aquele Everest. Esse encolheu também. Ficou pequenininho feito uma rampa de calçada, daquelas pra cadeira de rodas. Pois sábado eu fui ao baile de carnaval da SABA, em Atlântida, lugar onde passei os melhores carnavais da minha vida. E não é que a SABA encolheu também? Aquele salão imenso agora é claustrofóbico. A parte de fora, onde eu e a turma do bloco ficávamos, é um pedacinho de grama. Você dá dois pulos e já está na piscina. Estranho, lá por 1989 a piscina era tão longe... Tanto que era lá que os casais mais empolgados se escondiam. Chupódromo era o nome. E, antes que alguém pergunte: eu nunca fui no chupódromo. Nem lá nos chuveiros. Nem na casinha de salva-vidas. Fui tão na contramão da história que conseguia arranjar namorado em carnaval, coisa da qual parece que todo folião foge. Ficava com um na primeira noite e, quando via, tinha ficado as quatro noites. Era março, abril, continuava ficando com o mesmo. Não fui eu que escolhi isso. Isso me escolheu.

Sentada no murinho da SABA, fiquei olhando as crianças pulando, a guerra de espuma. Deu uma vontade imensa de voltar no tempo. Não porque hoje seja ruim. Mas porque aquela época era boa demais. O máximo de problema que a gente tinha era ter que estudar pra uma prova, não ter roupa nova pra ir a uma festa e chorar ouvindo Listen to Your Heart porque um dos três caras que você era apaixonada tinha ficado com outra. Aí era só tomar um porre de coca com vodka, chorar mais um pouco, dormir e acordar apaixonada por outro.

Deu saudade. Saudosismo. Nostalgia. Chamem como quiser. Mas deu. E deu, também, vontade de encarar meus problemas atuais. Que não são grandes, mas existem. Cansam só de olhar. Tanto que às vezes tenho vontade de pegar o elevador pra chegar mais rápido à solução deles ao invés de encarar a rampa em forma de caracol. A minha esperança é que, um dia, e que seja logo, eu olhe para trás e veja que eles não eram tão grandes assim. E que, dessa vez, não foram eles que encolheram. Mas eu que cresci."

Dois carnavais depois. Muito riso e muita alegria, apesar da idiota da Colombina eventualmente chorar pelo amor daquele estranho Arlequim. Assim é a vida. Vez ou outra a gente se sente uma palhaça no salão.

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?

E o que eu faço com tudo isso que eu tenho a dizer e não posso?

A propósito

Impressionante como bom humor me conquista e piadas no tempo certo me matam. Homens antipáticos me dão náuseas.

Enquanto isso, no BBB7: eu queria dissertar sobre Irislene Stefanelli, Fernando, Cowboy e Alemão. Não tenho tempo hoje, mas não vou sossegar enquanto não botar isso pra fora. Por hora, deixo aqui uma pérola do eliminado de ontem:

- Isso mexe com os breus da pessoa.

Monday, February 12, 2007

Yes really!

Começou bem essa tal de terceira temporada de Grey´s Anatomy, hein? Santa Mãe de Deus.
Fico imaginando uma coisa dessas comigo. Quer saber? Nem precisava tanto. Até deixaria de lado o Chris O´Donnel - que já não é mais aquele Robin franguinho - e aproveitaria muito bem aproveitado o narigudíssimo e maravilhoso Dr.McDreamy.

Ah, esse homem do meu lado esquerdo. Acho que nem saberia o que fazer. Se bem que, como dizia meu amigo Fábio, deixa comigo que eu sou canhota.


"A maioria das nossas fantasias se dissolve quando acordamos. São mandadas para o fundo da nossa mente. Mas, às vezes, temos certeza que se tentarmos muito nós podemos viver o sonho."

Saturday, February 10, 2007

Os primeiros passos de um homem

Aos exatos 11 meses Pedro começou a caminhar. Te amo, meu japinha loiro.

Monday, February 05, 2007

Grrrrrrr

Uma das coisas que tenho que aprender - e isso não sou eu que estou dizendo - é a sentir raiva ou ódio de alguém. Faz parte, pessoas sentem raiva, pessoas sentem ódio, pessoas querem ver pelas costas quem lhes fez mal. Eu não. Tenho outros sentimentos, particulares demais, mas ódio...não. Algum botãozinho meu veio com defeito, porque, por mais que me esforce, dificilmente sinto isso por alguém. Pro meu bem, tenho que mudar isso. Não que eu vá sair odiando a torto e a direito. Mas, na hora certa, acho que preciso me permitir isso. Pois então, deixando minha intimidade mais íntima de lado, preciso dividir com alguém o que estou sentindo agora. Se não é ódio é raiva da pior espécie. E eu preciso botar pra fora:

Net, Vírtua e Net Fone: EU ODEIO VOCÊS COM TODAS AS MINHAS FORÇAS. E QUERO QUE VOCÊS MORRAM, QUE VÃO À FALÊNCIA, QUE SEJAM ESQUECIDOS E BANIDOS DA FACE DA TERRA.

Pronto. Passou.

Saturday, February 03, 2007

Coluna do meio

Final do America´s Next Top Model. Olhando para uma belíssima foto, Tyra Banks diz para Joanie, uma das duas finalistas:

- You´re amazing in that photo...look like Grace Kelly.
- Ohhhhh thank you!
- Do you know who Grace Kelly was?
- Sure! She was a dancer!


E a loira estonteante com pele de porcelana ficou em segundo lugar. Sorte a da negra Danielle, que não se parecia com ninguém.


Joanie Dodds, segundo lugar na temporada 6 do ANTP.
***
Esse papo beleza versus inteligência me incomoda um pouco. Tenho algumas teorias, todas elas furadas. Mas que realmente é muito difícil, quase impossível, alguém lindo de morrer ser também inteligente de matar, ah, isso é. Por um lado acho injusto. Por outro, justíssimo. Não dá pra se ter tudo nessa vida. Se bem que eu duvido que a Gisele, com a beleza e o dinheiro que tem, sinta alguma falta de seus dotes intelectuais. E os homens que têm alguma coisa com ela, sexo, pra ser mais exata, também não devem sentir falta de raciocínio ali naquele corpo. Pra quê ela precisaria dele, né? La Bundchen é um exemplo de equilíbrio: tem beleza e burrice nas mesmas proporções. Só sabe abrir a boca pra tirar aquelas fotos descoladas ao final dos desfiles. Aquelas em que sai com sua linda boca escancarada, piscando seu lindo olho e fazendo gesto de surfista com sua linda mão.

Todas as vezes que penso "por que eu não sou linda?" fico imaginando que, pra isso, eu teria que devolver à fabrica alguns pontinhos do meu Q.I. E confesso que algumas vezes penso também: dane-se o Q.I. Danem-se os livros que li. Danem-se os textos que escrevo. Danem-se os homens que gostam de mulheres inteligentes. Danem-se as discussões filosóficas, os filmes difíceis, a cultura pop, as sessões de autógrafos, as reuniões com a diretoria. Aí me olho no espelho e vejo que não trocaria meu senso de humor apurado por um par de longas pernas. Nem minhas respostas rápidas por uma entrada na passarela. Nem a bagagem da minha vida por uma sessão de fotos na Tailândia. Nem o amor da minha vida por vários homens babando por mim. Nem as minhas páginas escritas por um papelzinho autografado. Claro, se desse pra ter as duas coisas, aí, sim, a gente podia conversar. Mas uma das minhas teoria furadas é de que, infelizmente, não dá. Vejam bem - eu detesto quem fala vejam bem - mas estou me referindo a mulheres ma-ra-vi-lho-sas e não apenas bonitas. Uma Gisele Bundchen inteligente? Difícil. Deus é bom e justo, fez duas filas, uma para as mulheres lindas e burras, outra para as muito inteligentes e feias. E fez também a fila do meio, ainda bem, porque as outras duas estavam dando voltas no quarteirão.

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Thursday, February 01, 2007

1, 2, 3 testando

Definitivamente eu sou uma chata. Ou uma rabugenta. Ou uma velha. Ou uma velha rabugenta, se preferirem. Mas tem certas coisas que não suporto, não tenho saco. Tipo: emails encaminhados, videozinhos babacas que atolam minha caixa postal, homem muito musculoso, gente que fala pra dentro, gente que escreve errado, homem com voz feia e testes da revista Nova. Ah, não gosto, não gosto e não gosto. Só acredito em uma vida e acho que não tenho tempo a perder com certas coisas. Não gosto de nada muito hermético e testes de múltipla escolha com apenas três ou quatro alternativas me sufocam, me sinto presa numa caixinha tetrapac. Sinto falta do espaço para escrever a resposta que eu escolher e não as que me impõem. Vida pra mim tem que ser dissertativa, papos têm que ser longos e noites têm que durar páginas e não uma linha. Não me peça pra dizer os cinco filmes preferidos da minha vida, os três melhores beijos que já dei, as duas melhores viagens que fiz. Não me peça pra resumir minhas paixões em a, b, c ou d. Sempre vou responder com um “nenhuma das alternativas anteriores”. Tenho meus filmes, beijos e músicas preferidos, claro que tenho. Mas sou sagitariana avessa a injustiças e resumir meus gostos, desejos, lembranças e preferências a uma dezena é injusto demais para um centauro que se perde na imensidão de um campo sem cercas.

Ser diferente do que sou é, sim, um grande desafio. E desafios fazem meu sangue ferver. Não gosto de testes de revistas mas acabo me testando diariamente. Por isso, num ímpeto de ser uma pessoa diferente mesmo que por poucos minutos, deixo a chatice, a rabugice e a velhice de lado e arranjo paciência e boa vontade para ler emails encaminhados, assistir a videozinhos babacas, ouvir atentamente alguém que fala pra dentro, marcar alguns X em testes da Nova e preencher questionários como este que roubei da Kelly e que me dão falta de ar por me permitir apenas três (três!) respostas. Isso é tortura pra mim, mas o sacrifício faz parte do aprendizado e do crescimento. Desde que o sacrifício não signifique vários emails de um homem muito musculoso, que escreve errado e atola a minha caixa postal.

3 nomes pelos quais você atende:

1) daniella
2) dani
3) meu amor

3 nomes pelos quais você não atende:
1) daniela
2) danielle
3) tia

3 nomes de tela:
1) daniella
2) d.
3) danifisha

3 coisas que você gosta em você:

1) minha boca
2) meus peitos
3) minha voz

3 coisas que você não gosta em você:
1) minhas canelas finas
2) minhas orelhas
3) uma ruguinha de preocupação entre o olhos

3 partes da sua herança genética:
1) italiana
2) italiana
3) italiana

3 coisas que assustam você:
1) avião
2) dívidas
3) altura

3 coisas essenciais no seu dia:
1) banho
2) coca-light
3) joão

3 coisas que você está vestindo agora:
1) tomara-que-caia roxa
2) saia de babado preta
3) rasteira preta

3 dos seus artistas/bandas favoritos:
1) rem
2) snow patrol
3) iron & wine

3 das suas canções favoritas:
1) nightswimming - rem
2) chasing cars - snow patrol
3) mr.brightside - killers

3 coisas que você quer tentar nos próximos 12 meses:
1) ir a cannes de novo
2) correr uma meia-maratona
3) curar uma ferida

3 coisas que você vai fazer nos próximos 3 meses:
1) ir ao rio: ver a cris e sua linda família, a liv, a flávia, a tati e a praia
2) ir a sp ver o show do keane, a kelly, os madureiras e tantos outros amigos
3) organizar a festa de 1 ano do Pedro

duas verdades e uma mentira:
1) homens não são todos iguais
2) eu quero ir pra casa dormir
3) eu não minto

3 nomes de filhos:
1) joão
2) bento
3) mia

3 coisas que simplesmente você não consegue fazer:
1) tomar banho sem lavar os cabelos
2) colocar a língua na ponta do nariz
3) comer azeitona

3 hobbies favoritos:
1) ver filmes e dvds
2) comprar roupas, livros e dvds
3) escrever

3 coisas que você quer fazer antes de morrer:
1) voltar à itália
2) terminar meu livro
3) ter uma filha

Sobre iPods e bifes à milanesa

Post pós post: voltei pro Flickr. Droga de mania de ir e vir, viu?

Além do meu lindo iPod Nano vermelho que chegará em breve dos Estados Unidos pelas mãos da Vanesssa, acabo de me dar de presente uma nova câmera digital, levinha, compacta, fininha e com todos os recursos e megapixels que mereço.

Eu não queria, mas vou acabar voltando a dar o ar da minha graça no Flickr. Enquanto não reativo a minha conta, subo aqui mesmo umas fotinhos de ontem, da festa da Priscila, da Mônica, da Bibi e do Rodrigo no Dhomba. Apesar da minha cara de poucos amigos, adorei o lugar, o sofá vermelho e, claro, os muitos amigos.

E hoje fiz o almoço que há muito prometia. Saímos da agência e fizemos uma comidinha em casa, com direito a picolé de sobremesa e pernas esticadas no sofá na hora da digestão. Servi o melhor bife à milanesa do mundo, o meu, com massinha fresca na manteiga e queijo GranaPadano. Minha vontade é levar todo mundo pra lá à noite e fazer um jantar com os restos, principalmente do frango assado que levei praticamente dentro da bolsa, em caso de faltar bife. Tirando a parte de voltar pra trabalhar, foi tudo perfeito.

Ah, sim: hoje minhas unhas combinam com o meu iPod. E apesar da estranheza que me causa o vermelho-sangue-coagulado, até que minhas mãos estariam chiques, não fosse pelos resquícios de farinha de rosca que se alojaram bem ali nos cantinhos.

Amanhã é dia de Nossa Senhora da Melancia. Portanto, bom feriado a todos os que residem por estas bandas.

Almoços deveriam ser sempre assim. Beto, Taíse e eu. Um trio de pares.


Para o Marco, que teve que viajar às pressas e perdeu o sorteio do bife.


Sorria, meu bem...


Em homenagem ao meu time, que não anda lá essas coisas mas eu amo mesmo assim.

Monday, January 29, 2007

O dia em que duvidei do meu bom gosto



Não adianta. Eu sou uma mulher misturinha. Homens, caso vocês não saibam, misturinha é um esmalte bem clarinho, feito da mistura de uma base transparente com algumas poucas gotas de branco. Cor nos pés, nem pensar. Acho bonito nas outras. Em mim é ridículo. Nas mãos, em dia de festa, quem sabe encaro um rosa-chá. Vermelho, quase impossível. Talvez um bem escuro, muito fechado e que nem pareça vermelho. Não sou mulherzinha a esse ponto. Pois hoje testei a minha vaidade e o poder de um bom esmalte sobre mim. Gastei quase R$40 na compra de um vidrinho com nada mais que 10ml de tinta e a promessa de mais brilho, graças ao vinil na fómula. E, principalmente, mais durabilidade: sete dias sem descascar. Deixei mais R$15 na manicure e me senti pronta. Pronta pra correr pra casa e lançar mão de algodão e muita acetona. Agora estou aqui, digitando com oito dedos ainda pintados de uma cor que está no limite entre o feio e o muito feio. Algo que não se decidiu se é salmão, se é laranja, se é pêssego. Cores que não suporto. Algo que a Vogue diz que é lindo e eu estou achando horroroso. Não aguento mais olhar, sorte que escrevo olhando pra tela. Chega a doer de tão feio. Dói a vista. E vai doer mais ainda quando eu jogar R$55 em forma de bolinhas de algodão no lixinho do banheiro.

Saturday, January 27, 2007

Nasceu

Comecei a botar em prática uma vontade antiga: escrever também em camisetas.

A primeira é de uma série especial para grávidas. A segunda vai me acompanhar mês que vem. Fevereiro tem dias de menos e trabalho demais.



Thursday, January 25, 2007

Feliz Aniversário, Jurubeba!


Jurubeba, Barney e Coisão. A saber: a Jurubeba é casada com o Coisão, não com o Barney, apesar de ele ser bem mais bonito.

Post requentado, pra lembrar o dia em que nos conhecemos e nos afofamos pessoalmente. E isso vale também pro Madureira. E até pra ti, Coisão.

São Paulo Parte V - O almoção no Centrão

Eu e eles chegamos no Raful perto das 13h. Lotado. Ficamos esperando mesa em frente a uma geladeira de latas de refrigerante. De costas um para o outro, nos medimos e vimos que a diferença nem é tão grande. Vai ver foi porque eu estava de tênis e o Golb de sapato, daqueles que dá pra pôr uma palmilha por dentro e que te deixam mais alto. Comecei a usar a técnica do Saulo de ficar olhando pras pessoas que estão comendo pra deixá-las constrangidas. Não funcionou. E a fome tava pegando. Também, saí de casa às 7 da manhã sem café. E não sou do tipo que aceita barrinha de cereal e amendoim torrado da Gol. Em compensação... Saudades da Varig, da TAM. Eu aceitava a bandeja toda e, se a aeromoça fosse legal, pedia mais uma.

Comecei a conversar mentalmente com uma menininha que comia batata frita bem perto da gente. Eu dizia:

- Me dá uma batatinha?

E ela respondia:

- Não!
- Ah, me dá...
- Nem pensar!
- Você é tão bonitinha... me dá só uma?
- E você é uma tia louca, horrosa e faminta! E ainda por cima eu não te conheço! Some daqui.


Sério, essa mensagem foi passada pra mim telepaticamente. Aproveitei e respondi, também por telepatia:

- Ok, não precisa dar. Você é bonitinha, mas vai ficar feia igual a sua mãe. E gorda, se continuar se entupindo de batata.

Mostrei a língua. Mentalmente, claro. E, enfim, fomos pra nossa mesa. Esqueci da batatinha, afinal aquilo era um restaurante árabe, não o McDonalds.

3 pessoas e um pedido pra 15: vários quibes, várias esfihas, muito pão, pasta de berinjela, grão de bico. O garçom, o Zé, era gente fina. Ele passava correndo e a gente dizia:

- Moço...
- Já venho aqui!
- Moço...
- Já venho aqui!
- Moço!
- Vou ali e já venho aqui...


Aí eu não aguentei:

- Moço...
- Pronto, pode falar.
- Agora não quero nada. Depois que o senhor for ali e voltar aqui, eu peço, ok?


Foi uma experiência e tanto, o Raful e o Zé. Ele prometeu enviar pra Porto Alegre a esfiha de zattar gratinado que pedi e não ficou pronta nas duas horas em que estivemos lá. Aliás, 7 dias depois, já deveria ter chegado.

Ah, o Zé. Ficou tão íntimo da gente que, em poucos minutos, não saía mais de lá. Bom de papo. Falava cuspindo, fazendo chuveirinho na minha cara. Uma beleza.

Mas eu sou uma mulher de sorte. Antes um garçom que cospe na minha cara do que um que cospe na minha comida.

Posted by Dani @ 22 de junho de 2005

Tuesday, January 23, 2007

Da série: homens que sabem elogiar



- Eu adoro os teus caninos.

Me deixou feliz.
E assim me fez rir.
E assim acabou vendo mais um pouquinho dos meus dentes.
E assim eu nunca esqueci.

The queen is not dead

Eu gostava da companhia da minha amiga grávida aqui nesta sala. Juro que gostava. Mesmo não aguentando mais ouvir ela falar o dia inteiro sobre contração, dilatação, amamentação. Mesmo quase engordando na mesma velocidade que ela, de tanto que essa mulher comia. Juro, eu gostava da companhia da minha amiga grávida. Mas confesso que estou gostando muito de reinar, ainda que não tenha o rei na barriga como ela tem o Mathias. Reino absoluta numa sala com quatro homens. A partir de semana que vem, cinco. Eles se aproveitam da minha nobreza e falam mesmo, falam coisas impublicáveis. E eu finjo que estou num churrasco só de homens e me divirto. Claro, sempre cuidando pra não dizer coisas que compliquem a minha vida. Afinal, nem num churrasco de verdade eles perdoariam se eu pedisse educadamente:

- Por favor, pode me passar a lingüiça?

Monday, January 22, 2007

Telentrega de Marlboro Lights

PQP. Se agora alguém batesse na minha porta querendo me vender um único cigarro por R$50, acho que eu comprava.

Sunday, January 21, 2007

Moi non plus


Momento muito mulherzinha deste blog. Primeiro a Kelly me torturou e eu torturei a Liv e a Tati com as sapatilhas da Hot Chocolate. Estamos há meses pensando numa forma de ganhar muitos dólares pra poder trazer várias delas da Venezuela pra gente. Depois a Liv acabou se vingando sem querer e deixou eu e a Kelly babando pela coleção da Frida. Agora a Vogue resolveu me sacanear, me lembrando que há anos eu sonho com uma ballerine de ville da Repetto, marca francesa que foi concebida para atender iniciados na dança e hoje faz sapatilhas de TODAS as cores, estampas e modelos. O suficiente para eu ficar horas na frente deste computador torturando a mim mesma.

Friday, January 19, 2007

Ciência de boteco

Nesses poucos dias de 2007, as noites de quarta-feira têm sido as melhores da semana. Primeiro, os encontros com a neuro-psiquiatra mais incrível pra quem já entreguei meu rico e suado dinheirinho. Depois, um boteco qualquer com amigos.

Nesta semana a quarta foi especialmente boa. A sessão da terapia me pareceu mágica. Nunca tinha sentido essa troca. E nunca tinha imaginado um psiquiatra com cara de paciente, olhos com lágrimas e uma expressão de “fala mais, fala mais”. No final, em vez do tradicional e distante aperto de mão, por pouco não rolou um abraço anti-ético.

Oito da noite e encontrei a psiquiatra que não pago. Aliás, às vezes até pago, mas em cerveja e picanha. E é dela a frase que martela aqui dentro:

- Essa página tu não tem que virar. Tem que amassar e jogar no lixo.

Jogar no lixo. Casualmente, foi algo parecido com isso que recentemente me fez voltar pra terapia.

E este assunto termina assim. Porque o que poderia estar escrito a partir daqui eu rasguei e amassei. Ainda não botei fora. Mas botar pra fora já é um bom começo.

Thursday, January 18, 2007

Criando um monstrinho

Sinal dos tempos não é quando seu filho de sete anos leva a coleguinha um ano mais velha para dormir em casa, mas quando ele avisa que não vai voltar pra casa porque quer retribuir a visita da noite anterior.

Monday, January 15, 2007

O tal banho de água fria

Que vontade de estar em um lugar onde sinceridade fosse sinceridade, verdade fosse verdade, amizade fosse amizade, carinho fosse carinho, consideração fosse consideração e respeito fosse um prazer e não uma obrigação. Bem que poderia existir um planeta habitado por seres mais humanos. Lá, todos sentiriam as emoções do coração do outro, mesmo sem querer. Alegrias, tristezas, angústias, dores e boas sensações, tudo seria dividido. Só se sorri quando se faz alguém sorrir. Só se é feliz quando se faz alguém feliz. Sentiríamos nossa própria indiferença. Talvez as pessoas pensassem duas vezes antes de mentir, de dissimular, de ignorar o sofrimento alheio, porque estariam ignorando o seu próprio. Talvez as pessoas não pensassem sequer uma vez antes de amar, de tratar bem, de se preocupar.

A vontade que tenho é de viver em outro mundo. Um mundo onde a realidade fosse bonita quanto nossos desejos mais puros. Bonita e real. E não apenas um pesadelo que vem disfarçado de sonho.

Eu não posso me mudar pra outro planeta, outro mundo, outra época, outra dimensão. Nem quero ter essa vontade pra sempre. Quero que ela dure só até hoje. Quero apenas que, a partir de amanhã, minha vontade seja outra. E eu, mesmo com milhares de defeitos e fraquezas, continue sendo a mesma pessoa que trata verdade como verdade, amizade como amizade, carinho como carinho, pessoas como pessoas e sonhos como desejos possíveis de serem realizados.

E pensar que escrevi tudo isso pensando apenas em viver num mundo onde o aquecedor nunca pifasse. Principalmente quando só o que você precisa é de um bom banho quente pra dormir com a consciência ainda mais limpa.

Thursday, January 11, 2007

Com'on, make my gay

Almoço entre amigos no bistrô de sempre. Três mulheres, dois homens. Indo em direção à porta, vejo um Deus grego entrando. Grego nada, italiano. E só Deus sabe a PAIXÃO que tenho pelos italianos. Quanto mais ele se aproximava, mais o nariz do italiano aumentava. Questão de perspectiva. E que perspectiva. O Deus grego italiano não era lindo. Pois eu não gosto de homens lindos. Ele era... assustadoramente charmoso. Desleixadamente bem vestido. Com traços desproporcionalmente equilibrados.

- Por favor, dêem meia volta, esqueci de comer sobremesa.

Foi eu acabar a frase e o narigudo charmoso me fulminou com seus olhos cor-de-burro-quando-foge. Fiz questão de dar uma esbarradinha nele, vai que ele tropeçava no meu cheirinho de Kenzo Amour.

- Gente, tô sem ar. O que é aquilo...
- Eu não vi nada, falou a amiga cega número um.
- O quê? As sobremesas? Falou a amiga grávida número dois.
- Eu vi. E vi ele te dando uma secada daquelas, disse o amigo ligado nos acontecimentos número um.
- É gay, tenho certeza, disse o estraga-prazeres do amigo número dois.
- Gay? Tá louco?
- Tenho certeza. Já morei em Londres.
- Que gay nada.Eu vi, meu. O cara tava com olhar de desejo (!) pra ela.

(Obrigada, Beto, obrigada!)

- Pode até ser. Mas ele tava desejando era o vestido da Dani.

Marco, mais uma dessas e eu conto pra todo mundo o que tu fazia no restaurante do
Jamie Oliver.

Wednesday, January 10, 2007

Ironizando a própria sorte

O blog dele mudou de endereço. Hora de atualizar links. Já dei minha passada diária por lá hoje e, com base no que li, voltei pra cá inspirada a dizer o seguinte:

Homens deveriam dizer mais o que sentem. Mesmo se o que eles sentem é apenas o cheiro do nosso perfume.

Tourinho indomável

Desde que entrou em férias, João veio duas vezes passar a manhã comigo na agência. Na primeira, chegou meio tímido, quieto. Desenhou em alguns papéis e me seguia até se eu me mexesse só pra ajeitar a bunda na cadeira. Ficou grande parte do tempo jogando no computador de um amigo que também estava de férias, o Frodo. Mas no final da manhã já estava dando gargalhadas e disparando nossa pistola de flechas de borracha no vidro, dando sustos no pessoal da sala vizinha.

Da segunda vez, ontem, já chegou perguntando onde estava a pistola, sentando na cadeira do Frodo e dizendo:

- Mãe, por favor, liga o MEU computador?

O que ele não sabia é que o dono do computador havia voltado das férias.

- Quem é tu?
- Eu sou o João.
- E eu sou o Frodo.
- Ahn...


Em minutos, Frodo recebeu uma mensagem, por escrito:

Frodo

Esta aqui é a agência da minha mãe. Tomara que tu tenha computador em casa. Porque este aqui agora é meu.

João

Monday, January 08, 2007

There is always hope

Passei de carro e lhe vi sentada em frente ao prédio do seu trabalho, disse a amiga. Seu rosto não parecia triste, mas coisa pior. A expressão era de um desespero calmo, uma fuga sem sair do lugar, uma perseguição frenética entre carros parados. Uma dor silenciosa. Olhos focados entre o nada e o coisa nenhuma. Como se procurassem por algo que tampouco existia e, por isso, algo impossível de ser achado. Como se precisasse de uma resposta para a pergunta que sequer havia feito.

E por que não parou, não chamou, não gritou, não sacudiu-lhe os ombros? Até pensei em parar, chamar, gritar, sacudir. Mas vi que não adiantaria. Talvez nem me ouvisse, não me visse nem sentisse a força de uma sacudida.

A amiga tinha razão. Não era, ainda, o momento de ela acordar. Ainda precisaria de alguns dias naquele sono profundo, naquele mundo só seu. Alguns dias no tal desespero em câmera lenta, no sofrimento frame a frame, naquele sonho no qual falava e ninguém ouvia, quando chorava e ninguém perguntava por que. Um sonho ora em preto e branco, ora em cores vibrantes que faziam arder os olhos cheios de lágrimas.

Seus olhos voltaram a piscar, piscar e piscar. Até não haver mais água salgada a cair na face. Voltou a falar, até não haver mais perguntas a pairar no vazio das respostas. Voltou a ouvir, a ver e a sentir as sacudidas, ainda que tudo isso lhe remeta ao dia em que sua amiga a viu sentada em frente ao prédio do seu trabalho. O dia em que seu rosto não parecia triste, mas coisa pior.

Voltou a rir.
Só rir.
Sorrir demora um pouco.
Pelo menos pra quem está assim, com os sentimentos em câmera lenta.
Slow emotion.

Friday, January 05, 2007

Esse me ama mesmo

Final de tarde. Passei no McDonalds com o João para comprarmos lanches para ele e o primo com quem ele ficaria à noite. Eu tinha um chopp marcado com amigos.

- Olha, João! Que lindos nos novos brindes do McLanche Feliz! Eu quero o Dexter.
- Mas mãe, tu não vai comer, tu não ganha brinde.
- Mas eu pego pra mim o brinde do lanche do teu primo. E se ele perguntar, diz que esqueceu no carro.
- Tá bem...
- Mas diz isso mesmo, não vai me matar de vergonha contando que eu roubei o brinde do guri.
- Pode deixar, mãe.

Perto da meia-noite, voltei para buscá-lo.

- Mãe, tu não acredita.
- Hum.
- O primo abriu a caixinha e disse “oba, brinde! ué, não tem brinde...”
- Ai meu Deus, João. E o que foi que tu respondeu?
- Nada, não respondi nada. Primeiro porque não foi uma pergunta. Segundo porque ele estava falando sozinho...

*
*
*

O combinado era que João dormisse na casa do primo. Onze e pouco meu celular toca.

- Dani, ele não quer dormir aqui. Disse que mudou de idéia, quer dormir em casa.
- Tá, daqui a pouco pego ele aí.
...

- Que foi, meu filho? Desistiu de dormir com o teu primo?
- É que me deu muita saudade, mãe.
- Saudade de mim?
- É, muito.
- Mas filho, fiquei menos de quatro horas longe de ti...
- É que, tipo... eu fico com saudade até quando tu vai ali no quarto trocar de roupa.

*
*
*

Antes de dormir:

- Mãe, tu é a mulher mais linda do mundo.
- Tu acha, filho?
- Ah, é que não conheço o mundo todo. Nem tantas mulheres assim.

Homens. Pena que crescem. Crescem?

Thursday, January 04, 2007

Criação Futebol Clube


O melhor não dá pra ver: o brasão do time, Luxemburgo, tem um alicate em cima do nome. Ahhhh como eu gosto de piada que nem todo mundo entende.

Parece tão simples


"A cura para a infelicidade é a felicidade. Não importa o que digam."

Sunday, December 31, 2006

2007



Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade

Friday, December 29, 2006

D. Jay

Meu novo blog.

Wednesday, December 27, 2006

De volta à velha prancheta de trabalho

Se você não pode contra os seus inimigos, junte-se a eles. Essa frase barata é só pra contar que a partir de agora tenho mais dois blogs. Ainda estão no forno, quase prontos, dando uma douradinha. Um é meu, meu. O outro, meu primeiro "blog corporativo", ou seja, não é meu, mas vou cuidar dele como se fosse.

Em breve conquistarei o mundo. Ou pelo menos a Oceania.

Tuesday, December 26, 2006

Vivendo e aprendendo

Uma amiga diz que cometi um tipo de suicídio ao sair do Orkut, deletar meu Flickr, enterrar vivo este blog. Diz ela que foi o suicídio que tive coragem de cometer, tamanha a angústia pela qual estava passando. Parece exagero, mas ela tem razão. Eu não tiraria a minha vida, nunca, mesmo que muitas vezes tenha sentido que estavam tirando ela de mim. Eu amo viver, ainda que às vezes, bem de vez em quando, passe pela minha cabeça que a vida nem me ame tanto assim. Normal. Não dizem que numa relação sempre tem um que ama mais do que o outro?

Falando em amar, eu amo escrever. E esse amor não dá pra matar. Seria muita covardia da minha parte virar as costas pra ele. Por medo, fuga, por achar que certas vezes ele me trai. Por insegurança, por ciúmes, por carência. Eu amo e pronto. Então volto pra esse amor, assim, devagar. Com uma certa cautela, mas não com menos intensidade. Talvez a gente se veja menos, talvez eu fale menos, talvez eu silencie mais.

Ainda ele, o amor. Como é bom se sentir amado. Melhor ainda é demonstrar o nosso amor por alguém, sem qualquer tipo de interesse. Neste Natal, eu tinha o coração vermelho e pequenininho feito a cereja fresca que minha mãe todo ano espeta no peru. Quando percebi que minha angústia me acompanharia por um bom tempo, já que me livrar dela, naquele momento, não dependia só de mim, resolvi pegar todo o amor que tinha no coração e, acreditem, ultrapassava os limites da cereja, e fui em busca de alguém que merecesse meu abraço. Alguém que, por minha causa, já ficou com seu coração, que é enorme, do tamanho do caroço da cereja. Fui, abracei bastante, apertei, peguei na mão. Ele não sabe, mas naquele momento eu pedia desculpas com todas as minhas forças. Eu pedia a Deus que ele fosse feliz. Eu pedia perdão a mim, por mim, pra ele, por ele e pra Ele também. Eu não queria nada em troca, só queria fazer alguém feliz pra tentar ficar feliz também. Naquela noite, a angústia me deixou dormir.

Voltando ao tema lá de cima. Ganhei o último livro do Nick Hornby, A long way down, na minha opinião equivocadamente traduzido como Uma longa queda. Equivocaram-se também na orelha do livro: chamam um dos quatro personagens principais de Martin Short, sim, o baixinho aquele das comédias do cinema. Mas já na primeira página percebe-se o erro: o nome do cara é Martin Sharp. Demissão sumária para o revisor. Se bem que, demitido, ele seria mais um a querer pular do Topper´s House, prédio alto de Londres conhecido como “suicidódromo” e ponto de encontro do “Martin Short” e mais três pessoas decididas a tirar a própria vida na noite de Ano Novo. Não é o melhor livro de Hornby, mas é ótimo. E ainda me rendeu uma linda dedicatória na primeira página: "Para a dona do melhor abraço do mundo".

Enquanto eu for viva, vou continuar querendo abraçar e beijar as pessoas que eu gosto. É assim que tento demonstrar o meu amor. É assim que transformo minha cereja no meu bom e velho coração.

Wednesday, December 20, 2006

Feliz Ano Novo pra vocês. Até qualquer dia.

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